A possível volta de Lucas Paquetá ao Flamengo deixou de ser “rumor bonito” e virou negociação de alto impacto. Nas últimas 48h, a conversa avançou para um desenho de € 35 milhões fixos + € 5 milhões em bônus, com o principal impasse sendo quando o West Ham libera o jogador. Nesse cenário, Palmeiras e Cruzeiro enxergam a operação como um “recado” de mercado: não é só um reforço, é uma elevação de teto — e isso muda pressão, estratégia e, em alguns casos, até a forma de contratar.
O clube inglês tenta incluir um “loan back” (vende agora e pega o atleta emprestado até o fim da temporada europeia), e o Flamengo resiste. Nuno Espírito Santo já admitiu publicamente que o caso precisa ser resolvido e chamou Paquetá de um dos melhores do elenco.
Como o Palmeiras vê: alerta esportivo e pressão por resposta
O Palmeiras tende a ler Paquetá em duas camadas: campo e mercado.

1) No campo: aumenta o nível do principal rival direto
Se o Flamengo encaixa Paquetá, o Palmeiras sabe que enfrentará um adversário com mais repertório no meio — e isso costuma exigir elenco mais profundo para “duelos grandes”, onde o jogo se decide em detalhes.
2) No mercado: acelera o “pacote” Arias/Almada e reforça a política de segurar Allan
O Verdão mantém conversas por Jhon Arias e Thiago Almada, mas Leila e Abel têm evitado falar publicamente sobre alvos. Ao mesmo tempo, o clube vem reforçando a mensagem de proteção de ativos: recusou oferta do Napoli por Allan (35 milhões de euros + 5 milhões em bônus, segundo o ge) e trata o jogador como pilar do projeto.
E há um detalhe importante: Abel deixou claro que só vale contratar para a função de volante se aparecer “um grande camisa 5”, para não bloquear espaço da base.
Tradução: o Palmeiras pode até “responder” ao Paquetá, mas tende a responder no alvo certo (e não por ansiedade).
Como o Cruzeiro vê: “ninguém sai”, elenco valorizado e recado duro
O Cruzeiro olha para a possível chegada de Paquetá com um filtro bem próprio: não virar satélite do Flamengo (nem esportivamente, nem no mercado).

O clube está fechando a renovação de Matheus Pereira até 2028. A estratégia pós-Kaio Jorge reforça essa postura: depois de recusar o Flamengo, o Cruzeiro acertou a extensão do atacante até 2030 (ESPN) e o ge mostrou que o pedido interno é claro: não perder titular.
O próprio dono do Cruzeiro disse que só venderia Kaio Jorge ao Flamengo em um cenário “fora da curva” (citando 50 milhões de euros). E o clima entre os clubes, hoje, é de atrito: o Flamengo acionou Gerson na Justiça com cobrança de R$ 42,7 milhões — ruído que também pesa no ambiente de negociações entre as partes.
Ou seja: se o Flamengo quer “dar golpe” com Paquetá, o Cruzeiro tende a reagir não com manchete, mas com blindagem do elenco e valorização do seu ativo — principalmente para não ficar vulnerável a investidas no meio do ano.
O que muda no “jogo” (na prática) se Paquetá chegar
- Muda o ponto de comparação: pressão em Palmeiras e Cruzeiro aumenta, porque o debate vira “quem tem o melhor meio-campo do país” — e isso afeta até ambiente de arquibancada e cobrança por reforços.
- Muda o mercado doméstico: com o Flamengo mirando operação de € 40 milhões, clubes com caixa (especialmente Palmeiras) passam a ser cobrados por movimentos “de prateleira”, enquanto clubes organizados (como o Cruzeiro) reforçam a estratégia de segurar titulares e vender só por cifra irrecusável.
- Muda o jogo grande: Palmeiras e Cruzeiro precisarão planejar duelos contra um Flamengo com mais criação por dentro — isso normalmente empurra escolhas de marcação no meio (dobras, encaixes, cobertura do “camisa 10” e controle de transição).