O Cruzeiro iniciou 2026 decidido a mudar radicalmente sua postura no mercado de transferências, agindo preventivamente para proteger seus ativos. A renovação de contrato do atacante Kaio Jorge até o fim de 2030, anunciada recentemente, não foi apenas uma recompensa pelos 26 gols na temporada passada, mas uma manobra de emergência da SAF para evitar que o clube fique refém do mercado novamente.
A diretoria celeste acelerou o processo e concedeu uma valorização salarial agressiva ao camisa 9 justamente para não repetir o drama que vive hoje com Matheus Pereira: o meia, craque do time, entrou nos últimos seis meses de vínculo e já pode assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe — com o Palmeiras surgindo como a maior ameaça nos bastidores — para sair de graça em julho.
A renovação de Kaio Jorge veio acompanhada de uma recusa formal a uma investida pesada do Flamengo, que chegou a sinalizar com € 32 milhões (cerca de R$ 200 milhões), envolvendo dinheiro e direitos econômicos de Everton Cebolinha. Para convencer o artilheiro a ficar e ignorar o assédio rubro-negro (que prometia dobrar seu salário), o Cruzeiro o colocou no topo da folha salarial.
A leitura interna é pragmática: não é possível entrar em uma temporada de Libertadores com os dois principais protagonistas do time com futuro indefinido. Se Matheus Pereira é uma incógnita contratual sob a mira de rivais, Kaio Jorge agora é uma certeza blindada.
A Sombra do Palmeiras e o “Fantasma” do Pré-Contrato
Enquanto celebra a permanência do camisa 9, a diretoria sua frio com a situação do camisa 10. Matheus Pereira tem contrato apenas até 30 de junho de 2026. Desde o dia 1º de janeiro, ele está livre para assinar pré-contrato. O Palmeiras, sempre atento a oportunidades de mercado para reforçar seu meio-campo, monitora de perto o impasse.

A possibilidade de levar o melhor meia do Brasileirão de 2025 “de graça” (pagando apenas luvas) transformou Matheus Pereira em um alvo óbvio. A diretoria celeste trata a renovação como prioridade absoluta e trabalha para fechar um novo vínculo de três a cinco anos até fevereiro, tentando afastar o Verdão antes que uma proposta oficial chegue à mesa do jogador.
O Preço da Blindagem no Cruzeiro: “Não” a R$ 200 Milhões
Com Kaio Jorge, o Cruzeiro mostrou que aprendeu a lição. A operação para segurá-lo foi cara, mas necessária para estancar a sangria. Inclusive, Pedrinho BH mandou dobrar o salário do craque para segurá-lo em BH.
- O Contrato: Estendido de 2028 para dezembro de 2030.
- A Multa: Mantida em € 100 milhões para o exterior e ajustada para o limite legal.
- O Gatilho: Existe um acordo verbal de que o clube ouvirá propostas da Europa a partir de € 30 milhões, mas o foco agora é a permanência. Ao bancar essa permanência e recusar o Flamengo, o Cruzeiro envia um recado de força ao Palmeiras e ao mercado: não vai liberar seus craques facilmente. A renovação de Kaio serve de exemplo na mesa de negociação com Matheus: o clube paga bem e oferece projeto longo, mas exige comprometimento rápido.
Nova Postura da SAF: Antecipação e Valorização
A estratégia adotada com Kaio Jorge sinaliza uma mudança de cultura. Em vez de esperar o assédio chegar para reagir, o Cruzeiro agiu antes. A valorização salarial serviu para “matar” a insatisfação e o argumento financeiro dos rivais.
Agora, o foco total se volta para Matheus Pereira. A SAF sabe que perder o meia de graça para um rival direto como o Palmeiras seria um desastre esportivo e financeiro incalculável.
Negociar com a “faca no pescoço” do prazo costuma custar mais caro em luvas e salários, e é exatamente esse cenário de vulnerabilidade que a SAF quis evitar ao antecipar a renovação de seu outro astro, usando o “caso Kaio” como modelo de sucesso.