A novela envolvendo a troca entre Cruzeiro e Flamengo esfriou drasticamente nas últimas horas, mas uma porta lateral ainda permanece entreaberta na Toca da Raposa. Após recusar a investida carioca por Kaio Jorge — que envolvia dinheiro e o passe de Everton Cebolinha —, a diretoria celeste encerrou as conversas nos moldes propostos.
O “Não” de Pedrinho e a Preferência por Luiz Araújo
Nos bastidores, a postura de Pedro Lourenço (Pedrinho) foi decisiva. O dono da SAF endureceu o discurso e vetou a venda de titulares para um rival direto como o Flamengo, independentemente de quem viesse na troca. Além da questão política, havia uma avaliação técnica: o Cruzeiro preferia Luiz Araújo a Cebolinha como moeda de troca, caso o negócio avançasse.
O motivo seria contratual e físico. Cebolinha entra em 2026 na reta final de seu vínculo e teve problemas de lesão, o que fez a diretoria mineira questionar se valeria a pena abater parte do valor de Kaio Jorge por um ativo que poderia assinar pré-contrato no meio do ano. Essa leitura fria ajudou a travar o “pacotão”, mas não anulou a admiração de Tite pelo jogador.
O Caminho “Surpresa” entre Cruzeiro e Flamengo: Negócio Separado

Se a troca morreu, como Cebolinha pode pintar em BH? A resposta está na necessidade do jogador e no excesso do Flamengo. Everton quer minutos em campo, algo que Tite garante no Cruzeiro. O atacante entra no último ano de contrato e busca protagonismo. Isso abre um cenário de “oportunidade de mercado”:
- Empréstimo: O Flamengo alivia a folha salarial pesada, e o Cruzeiro paga os vencimentos sem taxa de transferência.
- Compra com Desconto: O Flamengo aceita vender por um valor baixo (bem menos que os € 8 milhões da troca) para não perder o atleta de graça em dezembro. Nesse formato, o Cruzeiro traria o reforço sem sacrificar Kaio Jorge. É a engenharia que agrada a Pedrinho: manter a estrela e trazer o reforço de Tite pagando “preço de ocasião”.
Análise Moon BH: O Cruzeiro Saiu Maior?
Ao dizer “não” para R$ 200 milhões + Cebolinha, o Cruzeiro mudou de patamar. Mostrou que não é mais “barriga de aluguel” ou clube satélite que alimenta o Flamengo. A estratégia agora é a mais inteligente possível: separar as coisas. Vender Kaio Jorge seria um erro desastroso. Mas trazer Cebolinha é um acerto tático.
Se o Cruzeiro conseguir contratá-lo em um negócio à parte (empréstimo ou compra barata), terá dado um banho de gestão: ficou com o craque (Kaio), atendeu o técnico (Tite) e ainda aproveitou a desvalorização contratual do alvo (Cebolinha). O “pacotão” era armadilha; o negócio separado é oportunidade.