O clima entre as diretorias de Cruzeiro e Internacional azedou de vez, e o meio-campista Japa foi o primeiro a sentir o reflexo dessa ruptura no mercado. O clube mineiro descartou terminantemente a possibilidade de emprestar o jovem de 22 anos ao Colorado para a temporada de 2026. Embora o interesse gaúcho fosse real, vendo no atleta uma opção de intensidade para o meio-campo, a resposta negativa da Toca da Raposa teve motivação política: o desgaste gerado pela negociação frustrada do zagueiro Vitão.
Segundo o Central da Toca, o Cruzeiro não cogita facilitar qualquer negócio com o Inter neste momento. A diretoria celeste entende que a postura dos gaúchos nas tratativas anteriores quebrou a confiança entre as partes, transformando o pedido de empréstimo de Japa em um “não” automático, independentemente da avaliação técnica sobre a rodagem do jogador.
O “Caso Vitão”: O pacote de R$ 45 milhões que gerou a discórdia
Para entender o veto a Japa, é preciso voltar algumas semanas. O Cruzeiro tentou contratar o zagueiro Vitão em uma operação robusta. A Raposa colocou na mesa uma oferta de € 7 milhões (R$ 45,69 milhões) parcelados, além da cessão definitiva do zagueiro João Marcelo e, curiosamente, o empréstimo do próprio Japa.
O negócio parecia encaminhado, mas o Inter recuou e abriu conversas paralelas (incluindo o interesse do Flamengo), gerando um cenário de leilão que irritou profundamente a cúpula cruzeirense. O Cruzeiro se retirou da mesa e guardou a mágoa. Agora, quando o Inter voltou pedindo “apenas” o empréstimo de Japa, a Raposa usou a memória do caso Vitão para fechar a porta.
Quem é Japa: Renovado até 2027 no Cruzeiro

Japa, cujo nome é João Wellington Gadelha Melo de Oliveira, é tratado como um ativo importante na Toca II. O clube renovou seu contrato recentemente até dezembro de 2027. O jogador é visto como versátil, podendo atuar tanto como volante quanto na lateral-esquerda, mas teve um 2025 complicado devido a uma lesão no tendão da coxa que o tirou de combate por longo período.
- O Plano: Com a negativa ao Inter, a tendência é que Japa permaneça no elenco para ser avaliado pela comissão técnica na pré-temporada, buscando recuperar espaço e ritmo de jogo dentro do próprio Cruzeiro, ao invés de reforçar um rival com quem as relações estão cortadas.
Análise Moon BH: O Preço do Orgulho
No futebol, negócios são feitos de dinheiro e relacionamento. O Inter tentou separar as coisas: “O negócio do Vitão não deu, mas me empresta o Japa?”. O Cruzeiro respondeu juntando tudo: “Se não servimos para comprar o Vitão, não servimos para emprestar o Japa”. É um movimento de força da diretoria de Pedrinho.
O Cruzeiro aceita até “perder” a chance de dar rodagem a um garoto, mas não aceita sentar na mesa com quem considera que agiu de má-fé. O recado é para o mercado todo: quem quiser negociar com a Raposa em 2026 vai ter que levar a sério desde a primeira proposta. O Inter tentou a sorte e deu de cara com a porta trancada de R$ 45 milhões.