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Por que o Corinthians se recusa a vender Yuri Alberto por € 22 milhões e como isso faz sentido

A recusa do Corinthians diante de uma proposta de € 22 milhões (cerca de R$ 118 milhões) pelo atacante Yuri Alberto gerou questionamentos imediatos nas arquibancadas: como um clube com um passivo financeiro tão alto pode se dar ao luxo de rejeitar uma venda desse porte? A resposta não está na emoção ou na teimosia da diretoria, mas na dura engenharia financeira que rege os contratos no Parque São Jorge.

No papel, o valor da manchete soa como a solução ideal para os problemas de fluxo de caixa. Na prática, o departamento de futebol alvinegro embolsaria menos da metade desse montante, transformando o que parecia um negócio irrecusável em uma operação que traria muito mais prejuízo esportivo do que alívio financeiro real.

A matemática crua: Por que € 22 milhões viram apenas € 9,9 milhões?

A chave para compreender a postura intransigente do Corinthians no mercado da bola está na fatiada divisão dos direitos econômicos do centroavante e nos compromissos amarrados com intermediários do futebol. O cenário real da operação se desenha da seguinte maneira:

A fatia alvinegra: O clube paulista detém apenas 50% dos direitos econômicos de Yuri Alberto. Portanto, de uma venda total estipulada em € 22 milhões, o valor bruto destinado aos cofres corintianos seria de € 11 milhões.

A comissão de André Cury: O Corinthians possui um acordo documentado que garante ao empresário André Cury uma polpuda comissão de 10% exclusivamente sobre a parte que cabe ao clube em qualquer negociação futura do atleta.

O saldo líquido decepcionante: Descontando a fatia de € 1,1 milhão destinada ao agente, o valor efetivo que pingaria na conta do Timão seria de aproximadamente € 9,9 milhões, valor que ainda poderia sofrer descontos de outras taxas operacionais.

O dilema entre o caixa e o campo de Dorival Júnior

Jogador Corinthians Yuri Alberto
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Com o saldo real despencando para a casa dos € 9 milhões, a gestão fez uma conta muito mais esportiva do que emergencial. O enfraquecimento drástico do sistema ofensivo do técnico Dorival Júnior não compensaria o valor arrecadado.

Trocar a grande referência do ataque, que tem um contrato longo renovado até julho de 2030, por um montante que mal faria cócegas na dívida estrutural do clube não é visto como um movimento estratégico inteligente.

Vale lembrar que o Corinthians carrega débitos com agentes na casa dos R$ 300 milhões, e o próprio André Cury aparece listado no RCE com mais de R$ 40 milhões a receber.

Além disso, o histórico recente prova que o mercado internacional está disposto a pagar muito mais. O Corinthians já rejeitou € 18 milhões do Fenerbahçe (Turquia) e propostas de clubes da Inglaterra que bateram na porta dos € 35 milhões em 2025. A estratégia agora é clara: sinalizar que o camisa 9 não será rifado por cifras que só funcionam em manchetes.

Clássico pesado no fim de semana

Com Yuri Alberto focado e mantido no comando de ataque, o Corinthians vira a chave para o Campeonato Brasileiro. O time recebe o Flamengo neste domingo (22), às 20h30, na Neo Química Arena, em um dos duelos mais aguardados da rodada.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.