O Corinthians inicia a temporada de 2026 com um cenário contábil que deixa pouca margem para investimentos audaciosos. O balancete de novembro de 2025 revelou um déficit de R$ 247,8 milhões nos primeiros 11 meses do ano, empurrando a dívida bruta para a marca histórica de R$ 2,8 bilhões. Diante disso, o orçamento aprovado para este ano foca na austeridade, projetando um superávit modesto de R$ 12 milhões, condicionado a um corte drástico nas despesas.
A diretoria estabeleceu uma meta agressiva: reduzir a folha salarial do futebol de R$ 435 milhões para R$ 354 milhões anuais. Na prática, isso representa uma economia de R$ 6,2 milhões por mês. Para o torcedor, o recado é direto: reforços de peso só terão espaço se houver saídas equivalentes ou se o clube encontrar oportunidades de mercado sem custos de transferência, como atletas livres ou empréstimos.
RCE e dívida com a União: o dinheiro que já nasce comprometido
Dois movimentos jurídicos recentes definem o fluxo de caixa do Timão em 2026. Primeiro, a homologação do Regime Centralizado de Execuções (RCE), que organiza o pagamento de R$ 450 milhões em dívidas cíveis. A partir de março, o clube deverá repassar 4% de sua receita recorrente para este plano, o que significa que cerca de R$ 32 milhões do faturamento anual já possuem destino obrigatório.
Além disso, em 5 de fevereiro de 2026, o Corinthians selou um acordo histórico com a União para renegociar uma dívida de R$ 1,2 bilhão. Com um desconto de 46,6%, o débito caiu para R$ 679 milhões, mas exige regularidade fiscal absoluta. Esse compromisso cria uma disciplina de pagamentos que “engessa” o caixa, impedindo que receitas extraordinárias sejam desviadas para contratações sem planejamento.
O fantasma do Transfer Ban e a meta de vendas no Corinthians
O que mais preocupa a comissão técnica na busca por reforços é o risco iminente de novas punições da FIFA. Embora tenha quitado os R$ 33,4 milhões devidos ao Santos Laguna para registrar atletas no início do ano, o Corinthians ainda monitora pendências com clubes como Talleres, Shakhtar Donetsk e Philadelphia Union.
Qualquer atraso nesses pagamentos pode reativar o transfer ban, impedindo a inscrição de novos jogadores mesmo que o contrato já esteja assinado.
Para equilibrar as contas, o orçamento de 2026 impõe a necessidade de arrecadar R$ 151 milhões com a venda de atletas. Sem atingir essa meta, o clube terá dificuldades até para manter as contas do dia a dia em dia, quanto mais para investir em taxas de transferência.