O Corinthians começou a temporada 2026 com o pé direito. Ao vencer o Flamengo por 2 a 0 no Mané Garrincha, o Timão conquistou a Supercopa Rei e garantiu uma injeção financeira de R$ 11,61 milhões nos cofres. O dinheiro chega em boa hora para um clube pressionado por dívidas, mas a alegria do departamento financeiro dura pouco. Um gatilho contratual de Memphis Depay vai abocanhar uma fatia gigantesca dessa premiação.
A Conta do Prêmio vs. O Bônus do Holandês no Corinthians
O valor total de R$ 11,61 milhões é composto por duas fontes:
- Cota CBF: R$ 6,35 milhões (paga aos finalistas).
- Bônus Conmebol: US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,26 milhões).
Porém, o contrato assinado com Depay prevê um bônus por título conquistado. O valor estipulado para taças desse porte é de aproximadamente R$ 4,72 milhões.
A Matemática Final:
- Prêmio Bruto do Clube: R$ 11,61 milhões.
- Bônus de Depay: R$ 4,72 milhões.
- Sobra para o Clube: ~R$ 6,88 milhões.
Na prática, o craque holandês fica com cerca de 41% de tudo o que o Corinthians arrecadou com o título.
O Efeito Dominó nas Finanças

O bônus de Depay não é o único boleto na fila. O clube convive com uma dívida bruta estimada em R$ 2,8 bilhões e tem urgências de curto prazo, como a dívida com o Talleres pela compra de Rodrigo Garro (cerca de R$ 23 milhões) e pendências com o próprio estafe de Memphis (renegociadas na casa dos R$ 30 milhões).
O modelo de contrato do holandês foi desenhado para transformar custo fixo em variável (ganha mais se ganhar títulos). O problema é que, quando o título vem, o prêmio que deveria aliviar o caixa acaba sendo “drenado” pelo próprio elenco.
O título da Supercopa é indiscutível no campo e politicamente vital, pois “compra tempo” e paz para a diretoria. Mas, no caixa, ele escancara o paradoxo do Corinthians moderno: um clube quebrado que contrata estrelas precisa aceitar acordos onde vencer também gera despesa.