O ano é 2026 e a Fiel Torcida já sabe: quando Memphis Depay está em campo, o Corinthians joga um esporte; quando ele não está, joga outro. O holandês entra na temporada consolidado como a referência técnica indiscutível do elenco, mas carrega consigo um dilema que tira o sono da comissão técnica: até onde o corpo do camisa 9 (ou 10) aguenta?
A discussão sobre Depay deixou de ser sobre adaptação ou salário. Agora, é sobre matemática fisiológica. O clube vive uma encruzilhada estratégica: usar seu melhor jogador para garantir pontos no Paulistão e na fase inicial das competições, ou preservá-lo obsessivamente para que ele chegue inteiro às decisões? A resposta para essa pergunta define, literalmente, o “teto” do Corinthians no ano.
O “Paradoxo da Ferrari” no Corinthians
Colocar Depay para jogar contra times pequenos no estadual, sob calor de 35ºC e em gramados duvidosos, é como colocar uma Ferrari para fazer rali em estrada de terra. Ela vai correr? Vai. Mas a chance de quebrar uma peça caríssima é enorme.
- O Risco: Em 2026, com o calendário brasileiro ainda mais insano (ano de Copa), cada lesão muscular de Depay não custa apenas jogos; custa a “identidade” do time.
- A Tentação: O Corinthians precisa de resultados imediatos e de engajamento (marketing). Ter Depay no banco é “dinheiro parado”. A pressão para escalá-lo é constante, mas ceder a ela pode ser fatal.
Redefinindo o Teto: Com ele vs. Sem ele
A presença de Depay altera a prateleira do Corinthians.
- Com Depay a 100%: O time tem um “abridor de latas”. Ele resolve jogos travados com um toque, uma falta, um pivô. Com ele, o Corinthians compete de igual para igual com elencos mais caros (como Flamengo e Palmeiras) porque tem o fator “craque”. O teto é título.
- Sem Depay (ou com ele a 50%): O time perde a referência criativa e volta a depender de esforço coletivo e transpiração. O nível cai de “candidato a título” para “briga por G6”. O teto baixa drasticamente.
O Pacto da “Minutagem”
Para 2026 dar certo, clube e torcida precisam firmar um pacto silencioso: Depay não vai jogar todos os jogos. E isso não é “preguiça”, é inteligência. A gestão de expectativas é crucial. O departamento de fisiologia deve ter autonomia para vetar o holandês em jogos de menor apelo sem que isso gere crise de “corpo mole”. O foco deve ser tê-lo inteiro para os clássicos, os mata-matas e as retas finais.