Enquanto boa parte dos clubes brasileiros vasculha o mercado atrás de jogadores livres de contrato para economizar nas taxas de transferência, o Corinthians estuda um movimento diferente e ousado. A diretoria alvinegra colocou o nome de Tomás Pochettino, meia argentino do Fortaleza, em sua mesa de negociações, avaliando um investimento na casa dos R$ 11 milhões.
Aos 29 anos, o jogador é visto como uma solução “pronta para jogar”, alguém que não precisa de tempo de adaptação ao futebol brasileiro. No entanto, a operação enfrenta dois obstáculos claros: o contrato longo do atleta com o clube cearense (até o fim de 2027) e o fantasma do transfer ban da Fifa, que impede o Timão de registrar novos reforços enquanto não quitar pendências financeiras.
A situação financeira do Corinthians é um paradoxo. Ao mesmo tempo em que projeta receitas recordes com um novo patrocínio máster (que pode chegar a R$ 200 milhões anuais), o clube convive com uma dívida de cerca de R$ 40 milhões referente à compra do zagueiro Félix Torres junto ao Santos Laguna, o que gerou a punição na Fifa.
Portanto, antes de assinar o cheque por Pochettino, o Parque São Jorge precisa garantir que terá condições legais de colocar o jogador em campo, transformando a janela de janeiro num jogo de xadrez entre pagar dívidas e reforçar o elenco.
Corinthians: A Oportunidade da Série B
Por que o Fortaleza negociaria um titular absoluto? A resposta está no calendário de 2026. O Leão do Pici foi rebaixado para a Série B e entra na temporada precisando readequar sua folha salarial à nova realidade de receitas. Vender Pochettino, um ativo valorizado e com mercado, é uma saída lógica para fazer caixa.
- O Perfil: Desde 2023 no Fortaleza, o argentino soma 155 jogos, 14 gols e 25 assistências.
- A Vantagem: Diferente de uma aposta estrangeira que nunca atuou no país, Pochettino já conhece a intensidade da Série A, os gramados e a língua, reduzindo drasticamente a margem de erro da contratação.
“De Graça” Sai Caro?
A estratégia do Corinthians de mirar um jogador com contrato (pagando taxa de transferência) desafia a lógica comum da janela de janeiro. Muitos clubes preferem os agentes livres para evitar custos de compra. Porém, a diretoria alvinegra entende que o “barato” muitas vezes sai caro. Jogadores livres costumam exigir luvas astronômicas, salários inflacionados e comissões pesadas.
Ao dispor-se a pagar R$ 11 milhões por Pochettino, o Corinthians sinaliza que prefere gastar na certeza de um atleta testado do que diluir esse valor em luvas para uma aposta incerta. Além disso, a boa relação entre as diretorias — estreitada pela influência de Marcelo Paz e negociações recentes como a de Ryan — pode facilitar formatos de pagamento criativos.
O Encaixe no Timão
O Corinthians não procura apenas um nome; procura um conector. O meio-campo alvinegro carece de alguém que dite o ritmo, acelere a transição e pife os atacantes com qualidade. Pochettino ganhou reputação de “maestro” no Nordeste justamente por fazer o time jogar.
Para um elenco que vive sob pressão constante por resultados imediatos, trazer alguém que chegue, vista a camisa e jogue na estreia é um ativo valioso. Resta saber se o departamento financeiro conseguirá derrubar o transfer ban a tempo de transformar o interesse em reforço.