O Corinthians vive um paradoxo cruel neste início de 2026: a euforia pelo título da Copa do Brasil colide frontalmente com a realidade de um caixa asfixiado. Mesmo com a taça no armário, a diretoria alvinegra tem uma missão financeira ingrata para a temporada: arrecadar R$ 151 milhões com a venda de jogadores para equilibrar um orçamento pressionado por uma dívida na casa dos R$ 2,7 bilhões.
Nesse cenário de “vender para sobreviver”, os heróis da conquista recente viraram os ativos mais valiosos, e o atacante Gui Negão, destaque do mata-mata, já entrou na mira do Zenit, da Rússia.
O clube sabe que precisa fazer caixa e tenta valorizar sua joia da base. O Corinthians estabeleceu um preço de saída na casa dos € 25 milhões (cerca de R$ 163 milhões) para liberar o centroavante. No entanto, o mercado sinaliza com ofertas iniciais próximas a € 20 milhões (R$ 130 milhões). A negociação é vista como fundamental para cumprir a meta orçamentária, já que o prêmio do título não foi suficiente para sanar as urgências imediatas.
O “Gol” que virou Ouro no Corinthians: Zenit observa Gui Negão
A trajetória de Gui Negão na Copa do Brasil serviu como o cartão de visitas perfeito. O atacante foi decisivo nas quartas de final contra o Athletico-PR, marcando gols tanto na ida quanto na volta e somando assistências cruciais. O clube se blindou contratualmente: renovou com o atleta até 2030, fixando uma multa rescisória de € 100 milhões para o exterior.

Apesar da proteção, a necessidade de dinheiro vivo torna a venda uma possibilidade real. O Zenit, conhecido por investir pesado em brasileiros, monitora a situação. Para o Corinthians, vender Gui Negão seria doloroso esportivamente, mas essencial financeiramente, podendo manter um percentual para lucrar em uma futura revenda na Europa.
Título não paga boleto: Caixa retém milhões da premiação
Para quem acha que o prêmio da Copa do Brasil resolveria os problemas, a realidade foi um balde de água fria. Dos quase R$ 98 milhões acumulados em premiações na campanha, uma fatia gigantesca não chegou ao fluxo de caixa do clube. A Caixa Econômica Federal reteve cerca de R$ 35 milhões devido às garantias da dívida da Neo Química Arena.
Além disso, parte da receita de bilheteria também é repassada para o pagamento do estádio. Com despesas financeiras projetadas em R$ 219 milhões para 2026, o Corinthians se vê obrigado a cortar custos operacionais drasticamente (a meta é reduzir a folha em cerca de R$ 6,2 milhões por mês) e, inevitavelmente, vender seus talentos.
Breno Bidon: A outra “moeda forte” do elenco
Se Gui Negão é a bola da vez, Breno Bidon é a “reserva de valor”. O meio-campista é visto pelo mercado europeu como um ativo de elite. O ge aponta que, embora não haja pressa declarada pelo estafe, as sondagens da Europa são constantes. Com contrato até 2029 e a mesma multa de € 100 milhões, Bidon é o tipo de jogador que pode, sozinho, resolver grande parte da meta de R$ 151 milhões.