As lesões de Ruan Tressoldi e Thiago Borbas chegam ao Atlético em um momento no qual os problemas físicos ultrapassam a escalação e começam a ter impacto potencial sobre o planejamento financeiro do clube. Os dois jogadores ocupam posições diferentes e vivem situações contratuais distintas, mas representam investimentos que podem ser afetados pela redução de minutos em campo.
Ruan teve uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda depois de deixar o clássico contra o Cruzeiro, enquanto Borbas sofreu problema no posterior da coxa direita. Segundo o ge, o Atlético confirmou que ambos estão em tratamento e que não viajarão para enfrentar o São Paulo neste sábado, no Morumbis.
Ruan já virou um investimento de R$ 20 milhões

O caso de Ruan é o mais direto para entender o tamanho financeiro da preocupação. O zagueiro deixou de ser uma aposta de empréstimo e foi comprado em definitivo pelo Atlético, em uma operação próxima de R$ 20 milhões, com contrato até 2030.
A contratação fazia sentido esportiva e financeiramente porque Ruan havia se transformado em um dos jogadores mais importantes do sistema de Eduardo Domínguez. Em 2026, antes da nova lesão, ele vinha sendo titular absoluto e acumulava 29 partidas, com 28 delas começando entre os onze.
Agora, o problema não é imaginar que o Atlético tenha perdido automaticamente dinheiro com a lesão. O vínculo continua válido e o jogador permanece como ativo do clube. O impacto financeiro aparece na possibilidade de o investimento de R$ 20 milhões ficar temporariamente sem retorno esportivo proporcional, justamente porque o defensor foi contratado para ocupar uma função central no elenco.
Há ainda um efeito indireto: quanto maior for a sequência de desfalques na defesa, maior pode ser a necessidade de recorrer a alternativas ou buscar soluções no mercado. Isso significa que uma lesão não representa apenas o salário de um atleta afastado, mas pode aumentar a pressão por novos investimentos.
Borbas tem uma conta ainda mais delicada
Com Borbas, a matemática é diferente. O atacante chegou por empréstimo ao Atlético até o fim de 2026, com opção de compra, em uma negociação que prevê aproximadamente US$ 4,25 milhões, cerca de R$ 21,6 milhões, por 80% dos direitos econômicos do jogador.
Isso transforma os próximos meses em uma espécie de período de avaliação. O Atlético precisava observar Borbas em campo, medir seu desempenho, entender sua adaptação e decidir se o investimento definitivo fazia sentido.
A lesão, portanto, pode custar ao clube uma coisa que não aparece imediatamente no balanço: tempo para tomar uma decisão com mais informação.
Borbas havia acabado de marcar seu primeiro gol pelo Galo contra o Vitória, encerrando um jejum de aproximadamente 13 meses, e começava a ganhar espaço na disputa ofensiva. A contusão interrompe justamente a fase em que o atacante poderia acumular minutos e produzir argumentos para justificar, ou não, uma futura compra.
O dinheiro que está em jogo não está apenas nos jogadores
Existe ainda uma terceira camada nessa conta. O Atlético chega ao período decisivo da temporada disputando o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, competição em que já garantiu vaga na semifinal após eliminar o Cruzeiro na Arena MRV.
A classificação abriu uma possibilidade financeira que pode chegar a R$ 87 milhões em premiações ao longo da competição, além dos R$ 9 milhões relacionados ao avanço obtido no clássico.
Por isso, cada desfalque passa a ter um valor potencialmente maior quando o time entra em partidas eliminatórias. Não é possível atribuir uma quantia exata à ausência de Ruan ou Borbas, mas é possível enxergar o risco: perder jogadores importantes em uma fase decisiva pode reduzir as opções de Domínguez e, consequentemente, afetar a capacidade de buscar resultados que geram receita.
O Atlético precisa administrar dois tipos de risco
O cenário coloca a diretoria diante de dois problemas diferentes. Com Ruan, o dinheiro já foi comprometido e o desafio é preservar o retorno esportivo de um ativo de longo prazo. Com Borbas, ainda existe uma decisão de aproximadamente R$ 21,6 milhões que será tomada depois de um período de avaliação encurtado por uma lesão.
Isso explica por que as contusões podem ser mais caras do que parecem inicialmente. O departamento médico precisa recuperar os atletas, mas a diretoria também terá de administrar o efeito dessas ausências sobre escalação, premiações, profundidade do elenco e decisões futuras de mercado.
No caso de Borbas, principalmente, o relógio corre junto com a recuperação. Quanto menos partidas ele tiver para mostrar serviço antes do fim do empréstimo, menor será a quantidade de informação disponível para decidir se vale transformar uma aposta temporária em um investimento milionário.


