Os empresários que comandam os dois maiores clubes do futebol mineiro decidiram investir dinheiro próprio na corrida eleitoral deste ano. Os grupos familiares que controlam Cruzeiro e Atlético destinaram pelo menos 180 mil reais para três campanhas em Minas Gerais. O repasse foi realizado integralmente por meio de contas de pessoas físicas, respeitando a legislação que proíbe o uso de recursos corporativos vinculados às equipes esportivas, emissoras de rádio ou redes de supermercados.
O levantamento feito pelo Moon BH, a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral revela escolhas políticas distintas entre os bilionários. Rubens Menin dividiu 100 mil reais entre dois candidatos a deputado estadual.
Família controladora do Cruzeiro investe na disputa ao Senado
No lado celeste, o maior aporte financeiro mirou diretamente a câmara alta do Congresso Nacional. Pedro Lourenço transferiu 50 mil reais para a conta de Marília Campos. Seu filho complementou a arrecadação da candidata petista enviando outros 30 mil reais. A família exerce o controle de 90 por cento da operação cruzeirense desde a compra das ações de Ronaldo Nazário no ano de 2024.
A associação civil do clube detém o percentual restante dos negócios ligados ao esporte.
Essa contribuição para Marília Campos possui um histórico. Durante a eleição municipal de 2024, Pedrinho já havia doado exatamente o mesmo valor de 50 mil reais para ajudar na reeleição da então prefeita da cidade de Contagem.
A parceria financeira se repete agora em um cenário estadual muito mais amplo. A quantia transferida por pai e filho tem um peso estratégico considerável no caixa da candidata, correspondendo a cerca de 41 por cento de todo o dinheiro arrecadado por ela junto a financiadores privados na atual fase do pleito.
Dono do Atlético financia comunicadores de sua própria rádio
A estratégia adotada pelo principal acionista do Atlético seguiu um caminho voltado exclusivamente ao legislativo mineiro. Rubens Menin escolheu dividir 100 mil reais igualmente entre Mário Henrique Caixa, do Partido Verde, e Eduardo Costa, do União Brasil. Os dois nomes possuem uma trajetória profissional em comum muito específica. Ambos construíram longas carreiras diante dos microfones da Rádio Itatiaia, veículo de comunicação que pertence ao próprio conglomerado empresarial da família Menin.
Os depósitos bancários ocorreram em datas seguidas no final de agosto e representam as únicas movimentações eleitorais registradas em nome do empresário na atual temporada.
O locutor esportivo Mário Henrique Caixa já havia recebido incentivos financeiros do patrão em disputas passadas, somando um auxílio de pelo menos 150 mil reais considerando as últimas idas às urnas.
A situação do jornalista Eduardo Costa carrega um fator de ineditismo, já que essa será sua primeira candidatura como deputado. O incentivo inicial de 50 mil reais enviado por Menin representou cerca de um quarto de toda a verba declarada pelo candidato em sua estreia. O aporte reafirma o peso político do grupo que recentemente injetou 530 milhões de reais no Galo para passar a controlar 83,5 por cento do futebol alvinegro.


