A provável saída de Igor Gomes abre uma vaga no elenco do Atlético, mas não deve provocar a contratação automática de outro meia com as mesmas características. A diretoria trabalha com prioridades diferentes para a janela.
O entendimento interno é que o time já possui jogadores suficientes para ocupar os espaços nos quais o camisa 17 poderia atuar.
Por isso, a movimentação tende a beneficiar outro setor.
O reforço prioritário é ofensivo
A direção considera mais urgente contratar um jogador para o setor ofensivo. A saída de Igor pode ajudar a abrir espaço na folha salarial, mas o reforço beneficiado por essa movimentação tende a ter outro perfil.
O clube busca um atacante móvel, um ponta que também jogue por dentro ou um meia ofensivo com capacidade de chegar à área.
Essa definição explica por que a possível saída do camisa 17 não gera pressão imediata por um substituto de mesma função. O Galo enxerga o meio-campo como um setor já abastecido.
Por que a saída não é tratada como emergência
A principal razão para o Atlético não tratar a saída como urgência está no uso recente do jogador. Igor Gomes participou de apenas 14 partidas em 2026, oito como titular, e entrou em campo somente cinco vezes no Campeonato Brasileiro.
Sua última atuação ocorreu em 29 de abril, na derrota por 1 a 0 para o Cienciano, pela Copa Sul-Americana. O meio-campista começou o confronto, mas foi substituído no intervalo. Desde então, Eduardo Domínguez montou o time sem precisar recorrer ao camisa 17.
O clube, portanto, já atravessou boa parte do primeiro semestre sem a presença efetiva do atleta. Embora Igor tenha disputado 173 jogos pelo Galo, com 11 gols e 11 assistências, ele chegou ao segundo semestre como uma das últimas opções da comissão.
A situação contratual do jogador
O vínculo de Igor Gomes termina em 31 de dezembro de 2026, e ele já pode assinar um pré-contrato com outra equipe. A direção aguarda uma proposta para liberá-lo ainda nesta janela, que será aberta em 20 de julho e permanece disponível até 11 de setembro.
Uma negociação imediata permitiria ao Atlético receber alguma compensação, economizar os salários dos meses restantes e liberar uma posição no elenco.
Caso nenhuma oferta apareça, Igor poderá cumprir o contrato e deixar Belo Horizonte sem custos ao final do ano, cenário que o clube tenta evitar por representar perda sem receita.
Fred é o nome conhecido, mas não substitui Igor

Entre os jogadores publicamente ligados ao meio-campo do Atlético, Fred, do Fenerbahçe, é o nome mais concreto. Pedro Daniel, CEO da SAF, confirmou que o clube mantém conversas com o volante, tratado há meses como oportunidade de mercado.
A negociação, entretanto, depende do Fenerbahçe. Fred tem contrato com o clube turco até junho de 2027, e o Galo não pretende pagarquantia elevada pela transferência. Para o acordo avançar, o jogador precisaria de liberação, rescisão ou uma operação de custo reduzido.
O brasileiro disputou 45 partidas na última temporada turca, com quatro gols e cinco assistências. Aos 33 anos, oferece experiência internacional e já manifestou interesse em retornar ao país e defender o Atlético, clube pelo qual torce.
A diferença de função entre os dois
Mesmo com o interesse, Fred não chegaria para exercer a função deixada por Igor. Domínguez utilizava o camisa 17 como meia central, segundo volante ou jogador mais próximo dos atacantes.
O atleta do Fenerbahçe costuma atuar na primeira ou na segunda linha do meio-campo, contribuindo mais para a construção e a recuperação da posse de bola.
A chegada do volante permitiria adiantar outros jogadores no setor, mas não representaria uma troca direta entre os dois. São perfis distintos para necessidades distintas.
Lucas Assadi voltaria ao radar?
Lucas Assadi é um nome que se encaixa no perfil ofensivo buscado, mas não há confirmação de retomada das negociações. O Atlético tentou contratar o meia-atacante da Universidad de Chile no início do ano e chegou ao limite financeiro estabelecido pela SAF.
O clube chileno pediu US$ 5 milhões, valor que girava em torno de R$ 30 milhões na época. Sem acordo, o Galo interrompeu as conversas. Assadi havia encerrado a temporada anterior com 11 gols e seis assistências em 30 jogos.
Por ser jovem, atuar centralizado e também partir dos lados, o chileno permanece como referência do tipo de jogador procurado. Isso não significa, contudo, que tenha voltado à pauta nesta janela. Uma nova tentativa dependeria de redução da pedida ou mudança na situação contratual.
O elenco já tem quem ocupe o espaço
Eduardo Domínguez conta com opções internas para as funções deixadas por Igor Gomes. Bernard atravessou o primeiro semestre com maior participação ofensiva e somava cinco gols e duas assistências em 28 partidas até o fim de maio.
Reinier também pode jogar atrás do atacante ou como segundo homem de frente. Em 2026, acumulou 28 partidas, quatro gols e duas assistências. Gustavo Scarpa oferece passe vertical, bola parada e possibilidade de atuar centralizado ou aberto pelo lado direito.
Para uma função mais recuada, há Alan Franco, Maycon, Alexsander, Tomás Pérez, Mamady Cissé e Victor Hugo. Alexsander já declarou que prefere atuar como segundo volante, justamente uma das posições em que Igor poderia ser utilizado.
Com esse leque de alternativas, o Atlético entende que pode liberar o camisa 17 sem enfraquecer o meio-campo, direcionando o esforço da janela para o ataque, onde a necessidade é considerada maior.


