Igor Gomes tornou-se o jogador mais próximo de encerrar seu ciclo no Atlético. O meio-campista foi informado pela diretoria de que não terá o contrato renovado e poderá ser negociado na próxima janela de transferências, antes do fim do vínculo em 31 de dezembro de 2026.
A saída ainda não está acertada com outro clube. O Galo recebeu sondagens nas últimas semanas, mas nenhuma evoluiu para proposta oficial até esta segunda-feira, 13 de julho.
A decisão interna, porém, está tomada: o camisa 17 não faz parte dos planos para 2027.
A corrida contra o calendário
O cenário coloca o Atlético diante de uma disputa contra o tempo. Como Igor Gomes entrou nos últimos seis meses de contrato, já pode assinar um pré-contrato e deixar Belo Horizonte sem pagamento de direitos econômicos ao fim da temporada.
A janela do futebol brasileiro será aberta em 20 de julho e permanece disponível até 11 de setembro. Esse período representa a última oportunidade concreta para o clube transformar a saída em receita.
O valor de uma eventual proposta, no entanto, provavelmente ficará abaixo da cotação pública do jogador, justamente pela proximidade do fim do vínculo.
De titular a última opção em poucos meses

A decisão encerra uma mudança de status que ocorreu em pouco tempo. Sob o comando de Jorge Sampaoli, Igor Gomes era tratado como jogador importante, recebia sequência e aparecia com frequência entre os titulares.
A chegada de Eduardo Domínguez alterou essa posição. Questionado em maio sobre a ausência do meia, o treinador explicou que encontrou respostas melhores em outros jogadores para as funções exercidas por Igor.
O camisa 17 disputou 14 partidas em 2026, oito delas como titular, e registrou uma assistência. No Campeonato Brasileiro, entrou em campo somente cinco vezes, número que permite uma transferência para outro clube da Série A sem impedimento para disputar a competição.
O afastamento sem conflito
A última participação aconteceu em 29 de abril, na derrota por 1 a 0 para o Cienciano, pela Copa Sul-Americana. Igor começou como titular, mas foi retirado no intervalo. Desde então, ficou fora das partidas oficiais do Galo.
O afastamento não está ligado a problemas de comportamento. Internamente, o jogador é considerado profissional dedicado, com bom desempenho nos treinos e presença positiva no elenco. O encerramento do ciclo é uma escolha técnica e de planejamento.
A concorrência também aumentou. O Atlético passou a contar com Alan Franco, Maycon, Alexsander, Tomás Pérez, Mamady Cissé e Victor Hugo para o meio-campo, além de Bernard, que pode atuar mais recuado. Nesse grupo, Igor perdeu espaço e a renovação deixou de ser prioridade.
A mudança de posição sobre a renovação
A definição atual contrasta com o cenário de outubro de 2025. Na época, o Atlético tinha interesse em ampliar o vínculo e havia otimismo sobre a permanência do meia além de dezembro de 2026.
A boa sequência com Sampaoli e a versatilidade de Igor sustentavam a avaliação. O jogador podia atuar como segundo volante, meia de ligação e, em algumas ocasiões, aberto pelo lado do campo.
A troca no comando técnico e a queda acentuada dos minutos mudaram a análise. Renovar exigiria assumir novo compromisso salarial com um atleta que não aparece entre as primeiras alternativas da comissão.
Como um treinador mudou o futuro do jogador
O caso mostra como decisões contratuais no futebol podem ser alteradas por uma mudança de treinador. Em outubro, Igor aproximava-se de 150 jogos e era apresentado pelo próprio clube como peça de participação frequente. Nove meses depois, recebeu a comunicação de que não seguirá na Cidade do Galo.
A diretoria agora precisa escolher entre aceitar uma compensação menor nesta janela ou manter o jogador até dezembro e assumir a possibilidade de perdê-lo gratuitamente.
Essa é uma equação comum no futebol, mas sempre delicada: segurar o atleta pode custar receita, enquanto vender barato pode parecer desvalorização de um profissional que já foi titular.
Quanto Igor Gomes vale hoje
Igor Gomes tem 27 anos e está avaliado em € 2,5 milhões pelo Transfermarkt. Pela cotação de referência do Banco Central Europeu em 13 de julho, o valor corresponderia a cerca de R$ 14,6 milhões.
Isso não significa que o Atlético conseguirá receber esse montante. A cotação do site é apenas uma estimativa, não um preço fixado. A proximidade do fim do contrato reduz consideravelmente o poder de negociação do clube.
Um interessado pode apresentar proposta baixa para contar com o jogador imediatamente ou simplesmente negociar um pré-contrato e esperar até janeiro. O Atlético, portanto, tende a aceitar valores inferiores ao mercado para evitar uma saída sem receita.
Por que qualquer valor seria recuperação
Existe ainda uma divisão dos direitos econômicos. Igor Gomes chegou ao Galo após assinar um pré-contrato, mas foi liberado pelo São Paulo três meses antes do fim de seu vínculo. Em troca, o clube paulista conservou 10% de uma futura transferência.
Como não houve grande investimento em direitos econômicos para contratá-lo, qualquer valor líquido obtido agora representaria uma recuperação interessante. O Atlético teve custos com salários, luvas e comissões durante quatro temporadas, mas não precisaria compensar uma compra milionária.


