O empate por 1 a 1 contra o Botafogo na Arena MRV, com um gol sofrido nos acréscimos, deixou mais do que um gosto amargo na boca do torcedor atleticano; deixou um diagnóstico exposto no Atlético-MG. Em sua entrevista coletiva, o técnico Eduardo Domínguez foi cirúrgico ao admitir que as carências do elenco estão “nítidas” e que a diretoria já sabe onde deve atuar para que o time recupere a intensidade necessária para competir no topo.
Com a janela de transferências de julho se aproximando, o Galo se vê em uma encruzilhada estratégica: investir em nomes prontos para resolver problemas imediatos ou buscar ativos com potencial de revenda.
1. Defesa: A busca por imposição aérea
O calcanhar de Aquiles do Atlético tem sido a bola aérea. Com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos e quatro gols sofridos pelo alto nesse período, a necessidade de um “zagueiro dominante” é a prioridade número um.
- Kevin Lomónaco (Independiente): Representa o perfil de investimento. Jovem, com margem de revenda e potencial técnico. O Galo já tentou uma investida de US$ 5 milhões por 50% dos direitos, mas encontrou resistência dos argentinos.
- Juan Jesus (Napoli): É o plano de “impacto imediato”. Aos 34 anos e em fim de contrato na Itália, o defensor traria a experiência e a liderança necessárias para organizar a área nos minutos finais, podendo assinar um pré-contrato sem custos de transferência.
2. Meio-campo: O “cão de guarda” da intensidade
Domínguez reiterou que o futebol atual exige intensidade constante. Alan Franco e Maycon são peças úteis, mas o time carece de um primeiro volante de ofício que consiga sustentar a pressão e proteger a zaga quando o bloco recua.
A grande esperança — e sonho de consumo da diretoria — atende pelo nome de Fred. Atualmente no Fenerbahçe, o volante de 33 anos resolveria o problema de circulação de bola e combatividade. Embora não tenha havido uma negociação formal recentemente, o nome de Fred segue no topo da lista de desejos de Paulo Bracks. O desafio, neste caso, é o alto custo de operação para um jogador que não oferece retorno financeiro futuro.
3. Ataque: Velocidade para preencher o vazio de Hulk

A saída de Hulk não deixou apenas um vácuo de gols, mas de desequilíbrio individual. Embora Cassierra e Alan Minda venham dando respostas positivas, o Atlético sente falta de um ponta agressivo, capaz de quebrar linhas em velocidade e atacar em diagonal.
O nome de Luiz Araújo, do Flamengo, é o favorito para essa função. No entanto, o Rubro-Negro faz jogo duro e estipulou o valor de R$ 69 milhões para abrir conversas. Luiz Araújo entregaria ao esquema de Domínguez o “um contra um” que o time perdeu, servindo como uma válvula de escape fundamental para jogos onde o adversário se fecha.
O fator Scarpa e o financiamento dos reforços
Para viabilizar essas movimentações, o Atlético pode precisar de fôlego financeiro. É aqui que entra a situação de Gustavo Scarpa. Sem o protagonismo esperado e com alto custo salarial, uma eventual negociação do meia poderia abrir espaço na folha e gerar caixa para atacar as posições de zaga e volante.
A estratégia parece clara: o Atlético não quer quantidade, mas sim perfis específicos que mudem a temperatura competitiva do time. Como disse Domínguez, “está muito claro como melhorar”. Agora, a bola está com a diretoria para transformar o diagnóstico em soluções práticas no gramado.


