A vitória do Atlético-MG sobre o Ceará pela Copa do Brasil ficou em segundo plano. Ainda no gramado da Arena MRV, o atacante Hulk monopolizou o noticiário esportivo ao admitir publicamente que pode deixar o clube no meio ou no final de 2026. A declaração explosiva expõe um desgaste profundo nos bastidores e joga luz sobre o peso do seu salário na atual realidade financeira desenhada pela SAF.
O recado direto para “quem manda” no Galo
O tom de despedida foi taxativo. Ao ser questionado sobre o seu futuro na zona mista, o camisa 7 disparou a frase que acendeu o alerta em Minas Gerais: “Pelas conversas que eu tive com quem manda, posso sair do Galo no meio do ano ou no final do ano”. Isso indica que o dono, Rubens Menin, teria concordado em liberar o atleta, restando avaliar em qual das duas datas.
O atacante fez questão de ressaltar que seus vencimentos estão rigorosamente em dia, mas apontou a existência de “pendências” misteriosas. A fala desloca a crise de um simples atraso de folha de pagamento para um claro desgaste institucional. Quando um ídolo desse calibre fala abertamente em ruptura e cita conversas com a alta cúpula, o problema atinge o nível da confiança mútua.
Salário alto, multa de R$ 60 milhões e a tesoura da SAF
A relação entre o estafe do jogador e a diretoria alvinegra vive turbulências severas desde janeiro de 2026. Na época, os representantes de Hulk buscaram uma rescisão amigável. O Atlético bateu o pé, apoiou-se na multa rescisória estipulada em R$ 60 milhões e travou a saída.
No entanto, a mudança de rota no planejamento da SAF alterou a perspectiva sobre o custo-benefício do jogador. A cronologia, apurada pelo Moon BH, explica a tensão financeira:
- Outubro de 2025: A diretoria já avaliava internamente o impacto de um possível alívio na folha com a saída do atacante.
- Janeiro de 2026: O clube apresentou um projeto para estender o vínculo, mas condicionado a uma drástica redução salarial a partir de 2027.
- Reestruturação Atual: O aporte de R$ 500 milhões da SAF será direcionado exclusivamente para quitar dívidas bancárias, aumentando a lupa e a pressão sobre os contratos pesados do futebol.

Hoje, embora a saída não esteja sacramentada, ela deixou de ser improvável. O Galo não afirma que “aceita perder” o ídolo, mas é inegável que a liberação do jogador mais caro do elenco representaria um respiro gigantesco no fluxo de caixa da instituição.
Sem render tudo o que já rendeu, o dono da SAF pode ter pesado além do valor e da história do jogador. Com o alívio na folha salarial, pode trazer outros nomes para o elenco, o que facilitaria uma saída mais tranquila.
O buraco técnico e o teste de fogo no Brasileirão
Se a separação for consumada na janela do meio do ano, o alívio financeiro vai esbarrar em um enorme vácuo esportivo. Mesmo aos 39 anos, Hulk segue sendo a referência técnica central, o dono da bola parada e o termômetro competitivo do time comandado por Eduardo Domínguez.
Esse clima de incerteza ganha um palco pesado neste domingo (26). O Atlético volta à Arena MRV para receber o Flamengo, às 20h30, em clássico válido pelo Campeonato Brasileiro. Em campo, será um teste de paciência e foco para a equipe; nas arquibancadas, será o primeiro termômetro da relação entre o ídolo, a massa atleticana e os donos da SAF após o desabafo.
Vejas as principais notícias do Atlético hoje, aqui.