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Atlético mais ganhou ou perdeu na briga com o Galo da Madrugada pelo “Galo”?

O acordo entre Atlético e Galo da Madrugada encerrou uma disputa que vinha ganhando barulho muito além do futebol e do carnaval. O desfecho ajuda a explicar uma dúvida que muita gente tem: afinal, como podem existir marcas com o mesmo nome — ou com nomes muito parecidos — no Brasil? A resposta passa pelo coração do sistema do INPI e pela lógica de que a marca não é protegida de forma absoluta, mas dentro do ramo em que atua.

O que Atlético e Galo da Madrugada acertaram

O ponto central foi a delimitação de território marcário. O Galo da Madrugada manteve os direitos sobre a marca “Galo Folia”, tal como concedida pelo INPI, e se comprometeu a não pedir novos registros com a expressão “Galo” para atividades esportivas. O Atlético, por sua vez, aceitou não questionar os registros já existentes do bloco e não se opor a novos pedidos com a expressão “Galo” nas áreas cultural, de eventos e entretenimento — desde que isso não envolva esporte. O clube também assumiu o compromisso de não buscar marcas com o termo “Galo” para eventos carnavalescos.

O acordo não declara um vencedor absoluto: ele reparte campos de atuação.

Como funciona o registro de marcas no Brasil

Foto: Pedro Souza / Atlético

No Brasil, o direito de marca nasce com o registro validamente concedido pelo INPI. A proteção garante ao titular o uso exclusivo em todo o território nacional por dez anos, com possibilidade de renovação por períodos sucessivos. Mas essa exclusividade vale apenas dentro do ramo de atividade protegido e dos segmentos capazes de gerar confusão no público.

O sistema brasileiro trabalha com a Classificação de Nice, adotada pelo INPI, que divide o mercado em 45 classes: 34 para produtos e 11 para serviços. Marcas até idênticas podem coexistir, desde que não identifiquem produtos ou serviços capazes de confundir o consumidor.

Por que marcas iguais podem coexistir

É justamente aí que entra a explicação para casos que parecem contraditórios. “Galo da Madrugada” atua no campo cultural; o Atlético sustenta sua força no universo esportivo. Marcas idênticas ou próximas podem coexistir quando o consumidor médio não é levado a crer que pertencem à mesma origem econômica.

Há exemplos clássicos no mercado. “Veja” é usada pela revista da Abril e também pela marca de limpeza da Reckitt — sem que o consumidor confunda uma publicação jornalística com limpadores domésticos.

A grande exceção é a marca de alto renome: quando o INPI reconhece esse status, a proteção alcança todas as classes, e terceiros podem ter pedidos barrados mesmo em áreas totalmente diferentes.

Esportes Redação
Esportes Redação
Jornalista esportivos que trabalham há mais de 15 anos na cobertura diária dos principais clubes brasileiros, com foco em Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Botafogo.