A aprovação do balanço financeiro de 2025 do Palmeiras trouxe à tona números que ecoaram imediatamente nos bastidores do futebol mineiro. O documento oficial, que detalha as contas do clube paulista na última temporada, revela que o Atlético-MG ainda possui exatos R$ 27,697 milhões a repassar aos cofres do Allianz Parque por duas negociações de peso fechadas na janela de transferências anterior.
No detalhamento dos chamados “valores a receber” divulgado no demonstrativo, a dívida alvinegra está dividida em duas frentes que hoje compõem o elenco do Galo:
- Gabriel Menino: R$ 10,361 milhões pendentes.
- Rony: R$ 17,336 milhões pendentes.
A engenharia financeira: Parcelamento não é calote
Para o torcedor que acompanha o noticiário com lupa, é fundamental fazer uma distinção técnica: o fato de o balanço apontar valores a receber não significa, de forma alguma, que o Atlético-MG esteja inadimplente ou em atraso com as suas obrigações.
No inflacionado mercado do futebol atual, o parcelamento milionário é a regra, e não a exceção. Assim como o próprio Palmeiras ainda possui parcelas futuras para quitar as suas aquisições recentes, o Galo diluiu o impacto de suas compras no fluxo de caixa dos próximos anos.
O peso do “Megacanbão” por Paulinho e a fatia de Rony
A pendência de R$ 10,361 milhões por Gabriel Menino está umbilicalmente ligada a uma das maiores transações da história entre clubes brasileiros: a ida do atacante Paulinho para o Palmeiras.

Na época, a operação global foi avaliada em pesados € 18 milhões. Para abater parte desse valor astronômico, o clube paulista cedeu os direitos econômicos de Gabriel Menino e Patrick ao Atlético-MG, gerando o saldo que ainda consta no balanço.
Já a situação do atacante Rony envolveu uma negociação completamente separada e com uma divisão complexa de direitos. O Atlético-MG comprou o jogador por cerca de € 6,5 milhões (aproximadamente R$ 38,8 milhões na cotação da época).
No entanto, o Palmeiras não tinha direito ao montante bruto, pois detinha apenas 50% dos direitos econômicos do atleta — os outros 50% eram divididos entre o Athletico-PR (35%) e o próprio Rony (15%). É exatamente por essa divisão de fatias que o valor a receber pelo clube paulista é de R$ 17,336 milhões, e não o total da venda.
O impacto no fluxo de caixa do Atlético-MG
Somados, os quase R$ 28 milhões representam uma fatia considerável do orçamento atleticano para as próximas temporadas. Embora não seja uma “bomba” isolada prestes a estourar, o dado ilustra a agressividade da gestão no mercado da bola.
Para montar um elenco extremamente competitivo de forma rápida, o Atlético-MG aceitou assumir compromissos parcelados altos, empurrando obrigações financeiras relevantes para o futuro enquanto lida com uma folha salarial já pressionada.
Para o lado vendedor, o dado apenas atesta a saúde financeira palestrina. O balanço mostra que o Palmeiras não vive apenas do dinheiro à vista, mas possui uma esteira robusta de recebíveis a longo prazo, garantindo a manutenção do seu alto nível de investimento.