HomeEsportesAtléticoAtlético-MG mira Pellegrino? O zagueiro do Boca que Domínguez já tentou contratar

Atlético-MG mira Pellegrino? O zagueiro do Boca que Domínguez já tentou contratar

O Atlético-MG entrou na reta final da janela doméstica com uma frase que o CEO Pedro Daniel tornou quase um slogan: “Para chegar, tem que sair.” E agora essa lógica ganha um rosto concreto: o Galo colocou Marco Pellegrino, zagueiro canhoto de 23 anos do Boca Juniors, e pode virar o reforço do meio do ano.

O detalhe que transforma rumor em aposta real: Eduardo Domínguez já tentou contratar Pellegrino quando comandava o Estudiantes. Quando um treinador “puxa” um alvo conhecido, o clube reduz o maior risco de qualquer contratação — o perfil. Não é só um bom zagueiro. É um zagueiro dentro do modelo.

Por que a zaga ainda é a ferida aberta

O Atlético sofreu 12 gols nos primeiros 10 jogos de 2026, pior início defensivo em 15 anos. Domínguez chegou para mudar princípios — mais organização, menos exposição, marcação intensa — mas esse modelo exige uma peça específica na zaga: alguém que ganhe duelo, comande a linha e saia jogando com segurança sob pressão. É o “xerife” que o Galo ainda não tem.

Pellegrino cumpre esse perfil. É canhoto, atua pelo lado esquerdo da defesa e já está no radar do treinador há mais de uma temporada.

A conta que precisa fechar antes do dia 27

O problema é o relógio e o caixa. Para contratar um zagueiro de peso ainda nesta janela, o Atlético precisa abrir espaço de elenco e margem financeira — e dois nomes aparecem como moeda de troca: Mateo Cassierra e Alan Minda.

Foto: Divulgação do Atlético

Os dois chegaram ao Galo como apostas ofensivas com investimentos relevantes. Cassierra custou estimados 7 a 8 milhões de euros; Minda veio do Cercle Brugge por cerca de 7 milhões de euros. Somados, o pacote referencial fica acima de € 12 milhões — próximo de R$ 70 a 80 milhões dependendo do câmbio.

Se o encaixe em campo não aconteceu no ritmo esperado, a gestão moderna tem uma resposta para isso: transformar investimento sem retorno imediato em liquidez para corrigir o que dói mais. No caso do Atlético, o que dói mais é a defesa. Só que esta janela só vale para jogadores que disputaram os torneios estaduais. Pellegrino não entra na possibilidade.

Os três cenários possíveis

O caminho mais direto é uma venda ou obrigação de compra por um dos atacantes, gerando caixa real para bancar Pellegrino em condições melhores de pagamento. O segundo caminho é um empréstimo com divisão salarial, que não traz bolada mas abre espaço e folha — o suficiente para o CEO cumprir a promessa de equilibrar o tabuleiro.

O terceiro é o Atlético segurar os atacantes e buscar um zagueiro mais barato no mercado interno — mas esse cenário tem nome conhecido: tapar buraco em vez de corrigir o setor.

O teste de Domínguez começa na zaga

Com o treinador implantando uma ideia de jogo que exige organização defensiva como base, a zaga deixou de ser detalhe e virou pilar. Pellegrino é coerente porque é jogador do modelo. Cassierra e Minda são coerentes como moeda porque chegaram caros e ainda não entregaram o impacto esperado.

Se o Atlético conseguir transformar essa equação em uma saída e uma chegada certeira antes do dia 27, o Galo corrige a ferida mais visível do elenco sem precisar esperar julho. Se errar o timing, o treinador segue tentando montar uma linha defensiva sem o xerife que ele mesmo pediu.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.