A busca do Atlético-MG por um zagueiro esbarrou em um obstáculo duplo: a vontade do jogador e a conta bancária. O argentino Kevin Lomónaco, principal alvo da diretoria para a defesa, tratou de esfriar a empolgação da torcida alvinegra. Após a partida do Independiente contra o Platense, o defensor foi questionado sobre o interesse do Galo e não fez rodeios. Ele evitou alimentar a novela e garantiu foco total na Argentina, enquanto seu clube joga o preço lá no alto para afastar os brasileiros.
“Estou Comprometido Aqui”
Lomónaco foi diplomático, mas firme. “Prefiro não confirmar nada. Estou no Independiente, comprometido aqui”, disse o zagueiro. A declaração cai como um banho de água fria, pois sugere que o atleta não fará força para sair. Sem o desejo do jogador em forçar a barra, o Atlético perde seu principal trunfo na negociação.
O Abismo Financeiro: Empréstimo x Venda
O negócio travou no modelo:
- O que o Galo quer: Empréstimo com opção de compra (testar antes de pagar).
- O que o Independiente quer: Venda definitiva e dinheiro na mesa. Para liberar o zagueiro de 27 anos, o clube de Avellaneda pede entre US$ 7,5 milhões e US$ 10 milhões (algo entre R$ 43 e R$ 57 milhões) por sua fatia dos direitos. Lembrando que o Red Bull Bragantino ainda detém 25% do passe, o que encarece e complica a operação.
O Fantasma do Passado e o Aval de Sampaoli

Lomónaco é um nome aprovado pela comissão técnica de Jorge Sampaoli, que vê nele a saída de bola qualificada necessária para o esquema. Porém, o zagueiro carrega uma bagagem polêmica: sua passagem pelo Brasil (Bragantino) foi manchada pelo envolvimento no esquema de apostas (Operação Penalidade Máxima), que lhe rendeu punição da FIFA em 2024. O Galo monitora o risco, mas o Independiente, ciente da valorização recente do atleta, faz jogo duro.
Pagar quase R$ 60 milhões em um zagueiro que já teve problemas extracampo graves no Brasil e que diz publicamente estar focado em outro time? A conta não fecha.
O Atlético precisa de zaga, é fato. Mas entrar em leilão por Lomónaco, aceitando as condições “europeias” do Independiente, parece um erro de avaliação. O “não” do jogador na entrevista pode ter sido um favor ao Galo: hora de virar a página e buscar alguém que queira vestir a camisa e que custe um valor condizente com a realidade do mercado sul-americano. Com a janela fechando em 3 de março, insistir nessa novela pode deixar o time sem ninguém.