O volante Patrick Silva vive hoje o que os bastidores do futebol chamam de “efeito colateral” de uma mudança de comando técnico. Mesmo recuperado fisicamente e liberado pelo departamento médico desde o dia 23 de janeiro, o jovem jogador continua fora das listas de relacionados de Jorge Sampaoli em 2026 no Atlético-MG. A ausência persistente, inclusive em jogos contra Cruzeiro e Palmeiras, acendeu o sinal de alerta no staff do atleta, que já discute com a diretoria do Galo uma saída por empréstimo para garantir minutos em campo.
A situação ganhou contornos públicos após um desabafo do jogador nas redes sociais. Patrick utilizou um trecho de música mencionando que “a tempestade demora a passar”, sinalizando o incômodo com o momento de inatividade. O cenário é visto pela cúpula atleticana como um risco de desvalorização de um “ativo parado”, o que acelera a busca por uma solução no mercado da bola.
A “fila” no meio-campo e a preferência de Jorge Sampaoli
O diagnóstico para a falta de oportunidades é puramente tático e de hierarquia. Mesmo com a lesão de Alexsander, que reduziu as opções do setor, Sampaoli tem demonstrado preferência por outros nomes, como Alan Franco, Igor Gomes, Maycon e Victor Hugo. Para o técnico argentino, o perfil de jogo atual exige peças que ele considera mais “prontas” para o seu sistema de alta intensidade.
O agente do volante esteve recentemente em Belo Horizonte para uma reunião com a diretoria mineira. O objetivo foi entender por que o jogador, que chegou a ser titular com Cuca em 2025 e marcou gol, perdeu tanto prestígio. Atualmente, Patrick é visto como a última opção da “fila”, e a manutenção desse status é considerada prejudicial tanto para o desenvolvimento do atleta quanto para as finanças do clube.
Contrato longo e estratégia de mercado do Atlético-MG para 2026

Um detalhe fundamental que pesa nas negociações é o vínculo de Patrick Silva, que vai até dezembro de 2028. Por ser um jogador jovem e envolvido na operação que levou Paulinho ao Palmeiras, o Atlético o trata como uma joia que precisa de vitrine. A estratégia de empréstimos tem sido recorrente no clube em 2026: o Galo já soma oito jogadores cedidos a outras equipes com o objetivo de gerar rodagem e futuras vendas.
Emprestar Patrick parece ser o caminho mais lógico para “reativar” o jogador. Como ele tem apenas 21 anos e já provou ter qualidade em 2025, antes de ser freado por lesões na lombar e na coxa, o Atlético acredita que uma temporada como titular em outro clube da Série A pode devolvê-lo ao mercado com um valor de mercado muito superior ao atual.
Análise: O risco de manter um ativo imobilizado
Manter Patrick Silva no elenco sem utilizá-lo é, na prática, manter dinheiro imobilizado. Em um ano onde o Atlético busca otimizar recursos e organizar o plantel para as exigências de Sampaoli, a saída temporária do volante não deve ser vista como um “descarte”, mas como uma gestão inteligente de carreira.
O “algo a mais” nesta história é o timing: se o Galo não agir rápido na janela de transferências, corre o custo de ter um jogador insatisfeito no vestiário e um patrimônio que só perde preço a cada lista de relacionados onde seu nome não aparece. Para 2026, a palavra de ordem no CT de Vespasiano é eficiência, e Patrick Silva é o próximo teste dessa nova mentalidade.