O Atlético-MG venceu uma das disputas mais simbólicas desta janela de transferências ao tirar o volante Maycon das mãos do Corinthians. O que parecia uma renovação encaminhada no Parque São Jorge transformou-se em uma apresentação na Cidade do Galo, decidida por um fator que pesa mais que dinheiro: a agressividade na resolução de problemas.
Foi o próprio jogador quem resumiu a virada de mesa em sua primeira coletiva: “A vontade do Atlético de me ter aqui foi muito maior”. Enquanto o clube paulista hesitava nos detalhes finais com o Shakhtar Donetsk, a diretoria atleticana foi cirúrgica, aceitou as condições dos ucranianos e vendeu ao atleta não apenas um contrato, mas um plano esportivo de curto prazo para levantar taças já em 2026.
A negociação foi decidida no “detalhe” do tempo de contrato. Maycon estava em uma operação de três pontas (ele, Corinthians e Shakhtar). Com o Timão, as bases salariais estavam acertadas, mas o clube paulista travou na exigência do Shakhtar: os ucranianos queriam um vínculo definitivo de três anos para manter a chance de revenda futura (ficando com 50% dos direitos).
O Corinthians, receoso com o histórico de lesões do atleta e lidando com dívidas antigas com o próprio Shakhtar (cerca de € 1 milhão), tentou reduzir para dois anos. O Atlético viu a brecha, ofereceu os três anos exigidos sem pestanejar e fechou a porta para o rival.
O Fator Sampaoli no Atlético-MG: “Estilo De Zerbi”

Além da agilidade da diretoria, o Atlético tinha um trunfo técnico: Jorge Sampaoli. Maycon revelou que a presença do treinador argentino foi determinante para sua escolha. O volante comparou o estilo de Sampaoli ao de Roberto De Zerbi, técnico com quem viveu sua melhor fase na Europa.
- O Encaixe: Maycon se vê como peça ideal para o modelo de posse de bola, saída curta e construção por dentro que Sampaoli exige.
- A Promessa: O “projeto esportivo” vendido pelo Galo não foi genérico; foi a promessa de protagonismo em um time montado para ser campeão, algo que seduziu um jogador que quer voltar a competir em alto nível longe das instabilidades que viveu recentemente.
Onde o Corinthians Falhou
A perda de Maycon expõe a fragilidade de negociar quando se tem pendências. O Corinthians queria o jogador, mas a dívida antiga pelos empréstimos anteriores e o medo clínico travaram a ousadia da diretoria paulista.
Quando tentaram igualar a oferta de três anos do Atlético, já era tarde. O jogador já tinha sido “comprado” pela convicção mineira. O Atlético resolveu a parte mais difícil (o Shakhtar) primeiro, enquanto o Corinthians tentava renegociar termos. No futebol de 2026, quem hesita perde a vez — e o jogador.