HomeColunistasLeandro JahelCamisa vermelha: quem controla os símbolos, controla a narrativa

Camisa vermelha: quem controla os símbolos, controla a narrativa

Quando eu soube da possibilidade da camisa da seleção brasileira ser vermelha, confesso que precisei reler. Não era piada. Não era meme. Era real. A CBF, com o aval de Ednaldo Rodrigues — presidente envolvido em escândalos e aliado de partidos de esquerda — está considerando lançar um segundo uniforme vermelho para a Seleção. A justificativa? Comercial. A realidade? Para mim, ideológica.

Sou do tempo em que vestir a camisa da Seleção Brasileira era ato de patriotismo. Era verde, amarelo, azul e branco. Cores da nossa bandeira do Brasil, símbolos de uma nação plural, sim, mas unida por valores que ultrapassam preferências partidárias. E agora, querem enfiar o vermelho do Partido dos Trabalhadores à força no nosso maior símbolo esportivo.

Não, isso não é só uma “nova camisa da seleção brasileira”. Isso é sinal de um tempo estranho, onde até o futebol — que sempre uniu o povo — é sequestrado por agendas ideológicas.

O vermelho é símbolo de quê?

Segundo o estatuto da CBF, só se pode usar cores que estão na bandeira do Brasil. Exceção? Apenas para edições comemorativas. Ou seja, se não há uma comemoração legítima — como os 100 anos da seleção ou algo assim — essa história de camisa vermelha da seleção brasileira não se sustenta legalmente.

Mas sabe o que me preocupa mais? É o silêncio de quem deveria defender a nossa identidade. E não me venha dizer que é “só uma camisa”. Quem controla os símbolos, controla a narrativa. Hoje é o uniforme, amanhã é a história. A CBF, que já esteve nos braços do povo, hoje parece mais próxima dos gabinetes do STF do que das arquibancadas.

Ancelotti, Air Jordan e a vergonha da Seleção

E ainda tem mais: estamos num dos piores momentos do nosso futebol. Perdemos o protagonismo em campo, contratamos um técnico estrangeiro (Ancelotti, mesmo sem nem ter começado direito já virou cortina de fumaça), e agora tentam disfarçar o fracasso com uma jogada de marketing da Air Jordan. Uma empresa americana, vendendo a identidade de um povo que não quer ser vendido.

O aumento repentino dessa campanha só reforça: querem usar o futebol como plataforma política. Usam o vermelho como homenagem ao pau-brasil, mas sabemos que é só mais uma tentativa de reescrever o que sempre foi nosso.

Minha posição é simples: nossa camisa nunca será vermelha. Porque o Brasil é maior que qualquer partido, e a Seleção representa todos nós — e não apenas quem está no poder.

Se querem fazer política, que deixem o futebol em paz. Porque de vermelho, já basta a conta no fim do mês.

Leandro Jahel
Leandro Jahel
Leandro Jahel é jornalista e pós-graduado em “coaching com ênfase em carreiras e empreendedorismo”, além de ter completado "The Art of Persuasive Writing and Public Speaking" pela HarvardX. Além disso, apresenta o podcast "Vamos Mudar o Mundo". Casado e pai de duas filhas, Leandro também é pastor e mestrando em teologia sistemática.
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