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Minas Trend quer movimentar R$ 40 milhões em BH com 39 marcas a menos

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A 36ª edição do Minas Trend começou nesta terça-feira (20), no BH Shopping, em Belo Horizonte, com uma meta comercial superior à registrada na edição anterior e uma participação menor de marcas. O evento organizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reúne 100 marcas distribuídas em 191 estandes e espera movimentar mais de R$ 40 milhões em negócios até quinta-feira (22). Em abril, a 35ª edição reuniu 139 marcas e encerrou sua programação com mais de R$ 36 milhões negociados.

O contraste entre os dois números revela uma aposta em resultados comerciais mais elevados, mesmo com 39 marcas a menos no salão. A redução corresponde a aproximadamente 28% do total registrado na edição anterior, mas não significa necessariamente diminuição da atividade econômica do encontro.

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A organização espera receber mais de cinco mil visitantes durante os três dias. O objetivo é aproximar fabricantes, lojistas e compradores profissionais interessados nas coleções de outono/inverno de 2027, em uma feira cujo principal resultado é medido pelo volume de negócios realizados.

Menos marcas não significa necessariamente menos vendas

O resultado da edição anterior, já analisado pelo Moon BH, oferece uma referência para avaliar a nova meta.

Em abril, o Minas Trend encerrou sua programação com 139 marcas e volume superior a R$ 36 milhões em negócios. A projeção inicial era de R$ 33 milhões, mas o resultado final ultrapassou a expectativa da organização.

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Agora, o evento começa com menos marcas e uma meta acima de R$ 40 milhões. O aumento pretendido não será obtido necessariamente pelo número de empresas participantes, mas poderá depender de negociações de maior valor médio, encomendas mais volumosas ou maior conversão de contatos comerciais em pedidos.

Há uma diferença importante entre essas possibilidades e um resultado comprovado. A FIEMG divulgou a expectativa total de negócios, mas ainda não apresentou dados que permitam afirmar que cada marca venderá mais do que na edição anterior.

A comparação entre as duas feiras também exige considerar que os números de participação correspondem a edições com coleções e perfis comerciais diferentes.

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Meta de negócios foi ampliada na abertura do evento

Antes da inauguração, a FIEMG havia divulgado uma expectativa de movimentação superior a R$ 36 milhões. Na abertura realizada em 20 de outubro, a federação passou a trabalhar com uma projeção acima de R$ 40 milhões.

A atualização representa uma mudança nas expectativas comerciais anunciadas para a edição de outubro. O valor, entretanto, continua sendo uma projeção e não deve ser confundido com faturamento já realizado.

A programação reúne empresas dos segmentos de vestuário adulto e infantil, bolsas, calçados, joias e bijuterias. O tema escolhido para a temporada é Made in Minas, proposta que valoriza a origem das peças e a relação entre produção industrial, design e identidade regional.

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, essa combinação é parte do diferencial da moda mineira. Durante a abertura, o dirigente destacou que o setor não se limita à criação de produtos e envolve toda uma cadeia produtiva responsável por transformar ideias em mercadorias competitivas.

Sebrae leva 50 empreendedores para ampliar oportunidades

Uma das estratégias para estimular negócios é a participação de pequenos empreendedores. O Sebrae Minas levou 50 participantes para esta edição, divididos entre 25 expositores e 25 compradores.

A presença simultânea desses dois grupos aproxima quem fabrica ou comercializa produtos de quem procura fornecedores para suas lojas. Para pequenas empresas, essa relação pode representar acesso a mercados que seriam mais difíceis de alcançar individualmente.

Na abertura do evento, o Sebrae também anunciou o DNA Minas, iniciativa voltada à valorização da autenticidade e das características da produção mineira.

O projeto busca associar os produtos a elementos culturais e produtivos do estado, em um mercado no qual origem, diferenciação e identidade podem influenciar a decisão de compra.

A feira inclui ainda a participação de empresas de outros estados. Alagoas, por exemplo, levou 15 marcas do interior, ampliando o intercâmbio comercial e a presença de fabricantes de diferentes regiões.

Indústria da moda mineira tem mais de 115 mil empregos

O potencial do Minas Trend também precisa ser analisado a partir da estrutura produtiva que abastece o evento.

Como o Moon BH já mostrou em reportagem sobre os 115 mil empregos da moda mineira, o estado possui aproximadamente 8,4 mil estabelecimentos industriais ligados aos segmentos têxtil, vestuário, acessórios, couro e calçados.

Segundo a FIEMG, uma em cada seis empresas industriais de Minas está vinculada à cadeia da moda. Cerca de 95% desses estabelecimentos são micro ou pequenas empresas, o que torna a construção de canais comerciais especialmente importante para o setor.

Entre janeiro e julho de 2026, Minas respondeu por aproximadamente 18% da geração líquida de empregos formais da indústria da moda no Brasil.

A feira é uma das oportunidades de transformar essa capacidade produtiva em pedidos e relacionamentos comerciais. Ao concentrar compradores e fabricantes no mesmo espaço, reduz parte dos custos de prospecção e cria condições para negociações que poderão resultar em vendas ao longo dos meses seguintes.

Minas Trend segue até quinta-feira no BH Shopping

O evento continua nesta quarta-feira (21), das 10h às 20h, no estacionamento do Piso Ouro Preto, no terceiro andar do BH Shopping. Na quinta-feira (22), a programação será realizada das 10h às 17h.

A participação no salão de negócios é voltada a lojistas e compradores profissionais, mediante cadastro e avaliação da organização. Portanto, não se trata de uma feira convencional de compras aberta indistintamente ao público.

O balanço definitivo deverá mostrar se a estratégia de reunir menos marcas, mantendo uma meta comercial mais elevada, foi suficiente para superar o desempenho da edição de abril. Até lá, a projeção de R$ 40 milhões demonstra a ambição de fortalecer Belo Horizonte como centro de negócios da indústria brasileira da moda.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.