Minas Gerais respondeu por aproximadamente 18% do saldo nacional de empregos formais da indústria da moda entre janeiro e julho de 2026, segundo a FIEMG. O resultado, retomado na abertura do Minas Trend nesta terça-feira (20), convive com indicadores de desempenho distintos entre atividades da cadeia e dificuldades no polo calçadista de Nova Serrana.
O percentual mostra a participação mineira na diferença entre contratações e desligamentos do setor no país. Ele não significa que o emprego da moda cresceu 18% no estado, nem permite concluir que todas as regiões produtoras ampliaram suas equipes no período.
A informação já havia sido divulgada pela Federação em setembro e abordada pelo Moon BH na reportagem sobre a indústria da moda que reúne cerca de 115 mil empregos em Minas. A leitura por atividade acrescenta contexto ao resultado, mas exige cuidado: os recortes disponíveis não abrangem todos o mesmo intervalo.
Participação nas novas vagas supera o peso no emprego nacional
Em 2025, Minas concentrava cerca de 10% dos empregos e 13% dos estabelecimentos brasileiros dos segmentos têxtil, de vestuário e acessórios e de couro e calçados. Segundo o levantamento divulgado pela FIEMG, essas atividades somavam mais de 8,4 mil estabelecimentos e aproximadamente 115 mil vínculos formais no estado naquele ano.
A participação de 18% no saldo de janeiro a julho ficou, portanto, acima da fatia mineira no estoque de trabalhadores do ano anterior. São medidas diferentes: uma retrata o movimento líquido de contratação em sete meses; a outra, o conjunto de empregos existentes em determinada referência.
Têxteis e confecções apresentavam sinais opostos
Nas agregações de dados do Novo Caged publicadas pelo portal CNPJ Brasil, a fabricação de produtos têxteis em Minas apresentava saldo positivo de 1.623 empregos entre julho de 2025 e junho de 2026. O recorte corresponde à divisão 13 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, abrangendo diferentes atividades têxteis.
Já a divisão de confecção de artigos do vestuário e acessórios registrava saldo negativo de 2.158 postos em Minas, segundo as tabelas estaduais do mesmo portal. A diferença aponta trajetórias distintas entre a produção têxtil e a fabricação de roupas naquele recorte de 12 meses.
Esses números não explicam diretamente os 18% informados pela FIEMG. O intervalo de julho de 2025 a junho de 2026 inclui seis meses do ano anterior e deixa de fora julho deste ano, enquanto o percentual da Federação considera janeiro a julho de 2026.
Por isso, os dados não devem ser combinados para atribuir a um segmento a responsabilidade pelo resultado mais recente. Para identificar quais atividades e municípios sustentaram o saldo mineiro, é necessário comparar todos eles no mesmo período e com a mesma delimitação setorial.
Nova Serrana enfrenta dificuldades no emprego calçadista
No polo de Nova Serrana, dados apresentados no encontro Perspectivas Econômicas para 2027 apontaram cinco meses consecutivos de saldo negativo de empregos na indústria calçadista. A informação foi publicada pelo Jornal Serranense em 1º de outubro, após o evento realizado no Espaço Sindinova em 29 de setembro.
Segundo a reportagem sobre o encontro do setor calçadista, a atividade representa aproximadamente 90% dos empregos industriais do município. A sequência de meses com mais desligamentos do que admissões evidencia a importância de acompanhar os polos individualmente, além do resultado agregado estadual.
O indicador local não contradiz, por si só, a participação de Minas nas vagas nacionais da moda. Uma cadeia pode apresentar saldo positivo no conjunto e, simultaneamente, registrar perdas em determinados segmentos ou municípios.
Minas Trend reúne empresas em busca de novos pedidos
É nesse cenário que ocorre a 36ª edição do Minas Trend, no BH Shopping, até quinta-feira (22). A organização informa a participação de 100 marcas em 191 estandes e projeta mais de R$ 40 milhões em negócios, valor que representa uma expectativa, não um resultado já realizado.
Na abertura, a FIEMG também destacou que cerca de 95% das empresas da cadeia são micro e pequenas. A dimensão desses negócios ajuda a entender a relevância de uma feira voltada a aproximar fabricantes e compradores, embora a geração de pedidos não se converta automaticamente em novas contratações.
Para acompanhar os efeitos sobre o emprego, será necessário observar os próximos resultados por atividade e município. O percentual de 18% dimensiona a contribuição mineira ao saldo nacional, mas a evolução de cada segmento mostra onde as oportunidades estão crescendo e onde a recuperação ainda enfrenta obstáculos.


