HomeCapital M - Negócios e EconomiaArezzo e Soma avançam em ‘divórcio’: com quem fica a Farm?

Arezzo e Soma avançam em ‘divórcio’: com quem fica a Farm?

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A separação entre Arezzo&Co e Grupo Soma avançou com a aprovação, sem restrições, da reorganização da Azzas 2154 pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Divulgada nesta quarta-feira (14), a decisão permite que os grupos prossigam com o desmembramento da companhia criada em 2024, embora a conclusão ainda dependa de outras etapas.

O acordo prevê que a Hering fique com a Arezzo&Co, enquanto a Reserva passe a integrar a Soma. A Farm terá um destino diferente: será reunida em uma sociedade com gestão própria, da qual os dois grupos continuarão participando, preservando um vínculo empresarial mesmo depois do “divórcio”.

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Hering e Reserva mudam de lado na separação

O novo desenho não representa simplesmente uma volta à divisão que existia antes da fusão. A Hering, adquirida pelo Soma em 2021, ficará no bloco liderado por Alexandre Birman, enquanto a Reserva será incorporada ao conjunto de negócios ligado a Roberto Jatahy.

A reorganização também preserva, em cada companhia, marcas que já integravam suas respectivas operações. Conforme os termos anunciados em setembro, Arezzo&Co e Soma deverão funcionar como duas empresas abertas independentes, com ações negociadas na B3.

CompanhiaPrincipais marcas e operações previstas
Arezzo&CoArezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Vans, Vicenza, Paris Texas, Brizza, Carol Bassi, ZZ Mall e Hering
Grupo SomaAnimale, Cris Barros, Maria Filó, NV, Reserva e suas extensões, Oficina, Foxton e Off Premium

A mudança envolve uma companhia com raízes mineiras: a Arezzo foi fundada em Belo Horizonte, em 1972. O crescimento do negócio e a posterior fusão com o Soma antecederam a disputa entre os principais acionistas da Azzas 2154, já acompanhada pelo Moon BH.

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A Farm continuará com os dois grupos

Farm
Farm – Reprodução

A Farm não será repartida em duas marcas concorrentes nem ficará integralmente com um dos lados. O plano é reunir Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula em uma sociedade específica, com administração e governança próprias.

Nessa estrutura, a Arezzo&Co terá 57,4% de participação, e a Soma, 42,6%. Segundo a reportagem do C-Level, da Folha, sobre o aval do Cade, o formato busca dar flexibilidade à gestão e à avaliação de uma eventual venda futura.

A possibilidade de buscar parceiros ou vender o negócio já havia sido apresentada no anúncio da separação, em setembro, com assessoria do Morgan Stanley. Naquele momento, não havia acordo de venda assinado, conforme a cobertura do UOL sobre os termos da reorganização, e a análise de alternativas não equivalia à confirmação de uma transação.

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Por que a união chegou ao fim?

A fusão reuniu negócios de calçados, bolsas e vestuário, mas a integração foi acompanhada por divergências sobre gestão, governança e estratégia. O conflito entre os blocos de acionistas chegou a envolver disputas judiciais e arbitragem, encerramento previsto no acordo de separação anunciado em 2 de setembro.

Ao explicar a decisão, a companhia afirmou que a próxima fase exigia “maior foco, autonomia de gestão, clareza de responsabilidades e disciplina na alocação de capital”. A proposta, portanto, é devolver a cada conjunto de marcas uma direção própria, mantendo a participação compartilhada na Farm.

O que falta para concluir o “divórcio”?

O aval da Superintendência-Geral ainda está sujeito ao prazo de 15 dias, contado da publicação da decisão no Diário Oficial da União, para eventual recurso ou análise pelo Tribunal do Cade. Sem essas intervenções, a aprovação se torna definitiva no órgão, conforme o procedimento informado pela autarquia.

Também permanecem etapas societárias e regulatórias, incluindo o registro da Soma como companhia aberta na CVM e a aprovação de sua listagem no Novo Mercado da B3. O processo prevê uma cisão parcial e posterior troca de ações entre os blocos de referência, reorganizando as participações.

Pelos termos divulgados, os acionistas receberão participações nas duas companhias proporcionalmente à posição que detêm na Azzas antes das trocas previstas entre os blocos. A aprovação concorrencial representa, assim, um avanço concreto, mas ainda não significa que as empresas já estejam operando separadamente.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.