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Centauro: como a loja criada em BH virou gigante e assumiu a Nike

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Muito antes de o termo fitness dominar as redes sociais, o empreendedor Sebastião Vicente Bomfim Filho notou uma mudança silenciosa nas ruas: o brasileiro estava começando a correr, malhar e suar a camisa, mas ainda comprava seus tênis em lojas de sapatos comuns. Foi dessa percepção simples que nasceu, em Belo Horizonte, a primeira loja da Centauro.

O que começou como uma aposta regional na Savassi, em um nicho inexplorado, transformou-se no maior ecossistema esportivo da América Latina. Mas o verdadeiro segredo dessa expansão não foi apenas abrir portas; foi prever o futuro do consumo.

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A linha do tempo do império esportivo da Centauro

A virada de chave de uma varejista local para uma potência nacional não aconteceu do dia para a noite. A consolidação da Centauro (hoje parte do Grupo SBF) seguiu uma cartilha agressiva de inovação de formatos:

  • 2000 (A era das Megastores): A empresa chega a São Paulo com o formato inédito de megastore esportiva, transformando o ato de comprar uma bola de futebol ou uma chuteira em um evento de fim de semana nos shoppings.
  • 2003 (O pulo do gato digital): Quase uma década antes de o comércio eletrônico virar regra no Brasil, a marca digitaliza sua operação, ganhando inteligência de dados sobre o consumidor de todo o país.
  • 2019 e 2020 (A consagração): A empresa abre seu capital na Bolsa (B3) e usa o dinheiro para dar sua tacada mais ousada: a compra da operação da Nike no Brasil (Fisia), deixando de ser apenas uma revendedora para se tornar dona da marca mais valiosa do setor no país.

A matemática bilionária (e cruel) do tênis

Hoje, a Centauro opera mais de 220 lojas em 26 estados, mas o campo de batalha mudou. O esporte virou um negócio ferozmente digital.

Segundo a Neotrust Confi, o e-commerce de artigos esportivos movimentou impressionantes R$ 16,3 bilhões em 2024, uma alta de mais de 42%. Só a venda de calçados respondeu por quase R$ 10 bilhões dessa fatia.

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Sebastião Bonfim, dono da Centauro
Foto: Marcus Steinmeyer/Divulgação

Neste cenário, o consumidor tornou-se impaciente e caçador de preços. Ele experimenta o tênis na loja física do shopping, mas pesquisa no celular se acha mais barato no aplicativo.

A loja física morreu? Não, ela mudou de emprego

É aqui que a estratégia omnicanal (integração físico-digital) da rede mineira é testada. Os dados de 2025 mostram essa tensão: as vendas da Centauro cresceram 19,9% no digital e 11,2% nas lojas físicas.

A loja física já não existe apenas para bater meta de balcão; ela agora é uma base avançada de logística. Ela funciona como vitrine, ponto de retirada rápida de compras online, suporte para trocas sem dor de cabeça e, principalmente, como mini-centro de distribuição para baratear fretes locais.

O desafio para 2026

Vender muito na internet é fácil; difícil é ter lucro fazendo isso. O frete caro, a alta taxa de devolução de roupas e a guerra de preços contra os grandes marketplaces corroem rapidamente a margem das empresas. O desafio da Centauro, agora, não é apenas crescer, mas provar que a engrenagem que nasceu em Belo Horizonte consegue operar com lucro em um mercado digital onde o consumidor não tem fidelidade a ninguém, exceto ao seu próprio bolso.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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