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De BH ao espaço: Por que Araújo e Supermercados BH abrem unidades “até na Lua”

Existe uma piada recorrente em Minas Gerais: não importa a cidade, sempre há um Supermercados BH ou uma Drogaria Araújo por perto. O que parece exagero de quem mora no estado é, na verdade, o resultado de uma estratégia deliberada de duas das maiores redes varejistas do país — e os números mostram que a aposta em capilaridade não é coincidência, mas condição de sobrevivência em setores onde a margem de lucro não perdoa ineficiência.

Os números que explicam a ubiquidade

O Supermercados BH informa ter mais de 400 lojas ativas, sendo 360 unidades em 114 municípios de Minas Gerais e 43 lojas em 13 municípios do Espírito Santo. A rede segue em expansão: em 7 de abril de 2026, anunciou mais duas inaugurações, em Porteirinha e Cariacica.

No ranking mais recente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o grupo aparece como o 4º maior supermercadista do Brasil, com faturamento de R$ 21,28 bilhões em 2024.

A Drogaria Araujo não fica atrás. A rede já conta com mais de 360 lojas em Minas e, em março de 2026, anunciou um plano de expansão agressivo: quer abrir 150 novas unidades até 2028, sendo 31 só em 2026, e elevar o faturamento de R$ 5,3 bilhões em 2025 para R$ 8 bilhões no fim do ciclo. A própria empresa afirma atender mais de 70 milhões de clientes por ano e deter 28,07% de market share em Minas Gerais — o que transforma a percepção de “tem uma Araujo em toda esquina” em dado de mercado, não apenas impressão.

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Por que “muita loja” é vantagem, e não excesso

Para o consumidor, uma rede com centenas de pontos pode parecer saturação. Para o varejista, significa proximidade, frequência e eficiência operacional. Quanto mais capilarizada a rede, maior a chance de capturar compras de reposição, urgência e conveniência — exatamente as vendas que sustentam o giro diário.

No supermercado, isso garante fluxo constante de clientes. Na farmácia, encurta a distância entre a necessidade e a compra, algo ainda mais valioso em categorias de saúde, higiene e conveniência. No caso da Araujo, a expansão do centro de distribuição em Contagem foi apresentada justamente como base logística para suportar o crescimento físico no interior mineiro.

Farmácias e supermercados lado a lado
Foto: Reprodução – Moon BH imagens

No Supermercados BH, a escala também fortalece a negociação com fornecedores, dilui custos fixos, ocupa praças estratégicas e consolida a lembrança de marca. O plano de crescimento segue evidente: além das inaugurações recentes, o presidente da rede, Pedrinho, afirmou no ano passado querer levar o BH a mais de 60 lojas no Espírito Santo em até três anos, acima da base de pouco mais de 40 unidades naquele momento.

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A conta que justifica tudo: margem curta exige escala

É aí que a lógica de negócio se torna mais clara. Dados da ABRAS mostram que o varejo alimentar brasileiro movimenta cerca de R$ 1 trilhão, mas opera com margem estimada de apenas 2%. A própria entidade informou, em 2025, que o índice de ineficiência operacional do setor ficou em 1,89% — um número pequeno na aparência, mas devastador quando o lucro já é tão comprimido.

Na prática, isso significa que desperdício, frete mal calculado, loja mal localizada ou estoque pouco eficiente corroem rapidamente o resultado. Crescer, portanto, não é vaidade: é uma forma de defender rentabilidade num negócio onde cada ponto percentual importa.

No varejo farmacêutico, a lógica é parecida, embora a margem estrutural seja mais confortável. Estudo da ABRAS com dados de mercado estima margem de 15% para o segmento farmacêutico — bem acima do alimentar. Mesmo assim, escala continua central porque sustenta entrega rápida, programas de fidelidade, sortimento amplo e ganho logístico. A Abrafarma confirma esse movimento: o setor movimentou mais de R$ 103 bilhões em 2024 e mais de R$ 110 bilhões nos 12 meses até outubro de 2025.

O que vem a seguir

Tanto o Supermercados BH quanto a Drogaria Araujo chegaram à mesma conclusão: em varejo tradicional, quem não cresce encolhe. A Araujo já tem metas públicas e calendário definido até 2028. O BH segue abrindo lojas sem guidance fechado, mas com ritmo que fala por si.

O próximo desdobramento a observar é se a expansão acelerada de ambas as redes vai pressionar concorrentes regionais e nacionais a responder com movimento similar — ou se o domínio das duas sobre o varejo mineiro se aprofundará ainda mais nos próximos anos.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.