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Viajar saindo de Confins pode ficar até 50% mais caro após reajuste da Petrobras

O aumento no preço do querosene de aviação (QAV) começa a se traduzir em riscos concretos para consumidores e empresas mineiras. Com o BH Airport operando cerca de 70 destinos e funcionando como hub de conexões domésticas e internacionais, o encarecimento do combustível afeta desde as tarifas de passagens até o frete de medicamentos, autopeças e encomendas expressas que passam pelo terminal. O alerta vem de dados da Reuters e da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), que apontam o QAV como responsável por mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas no Brasil.

Passagens mais caras e menos promoções

O efeito mais imediato para o consumidor mineiro deve aparecer nas tarifas. As aéreas não costumam repassar integralmente e de forma imediata os aumentos de combustível — a própria ABEAR já indicou que as empresas tentam absorver parte da alta para não comprometer a demanda. Ainda assim, os sinais do mercado são claros.

Segundo a Reuters, o grupo controlador da Gol calcula a necessidade de elevar preços em cerca de 10% para cada aumento de US$ 1 por galão no combustível. Já a Azul vinha reajustando tarifas médias e reduzindo a oferta em rotas domésticas para enfrentar a pressão recente do petróleo. Para quem planeja viajar por Minas Gerais ou utilizar o BH Airport como escala, o cenário aponta para passagens mais caras, menos promoções e possível redução de frequência em rotas menos rentáveis.

Logística de cargas sob pressão

O segundo impacto atinge a cadeia logística. O Hub Logístico Multimodal do BH Airport é o único recinto alfandegado de Minas Gerais com fiscalização 24 horas e conta com 11 posições para aeronaves cargueiras. Em 2024, o terminal registrou mais de 30 mil operações de importação de cargas, alta de 8% em relação ao ano anterior, atendendo prioritariamente os setores de Ciências da Vida, Mineração e Automotivo.

Avião em voo
Foto: Banco de imagem

Quando o custo do trecho aéreo sobe, empresas tendem a compensar com fretes mais altos, prazos menos agressivos ou compressão de margem. Em operações de e-commerce com centros de distribuição em Betim e Extrema — como os do Mercado Livre —, a pressão deve ser sentida especialmente nas entregas rápidas de longa distância, não em toda a mercadoria vendida online.

Saúde, autopeças e indústria na linha de risco

Entre os setores mais sensíveis, o de saúde se destaca. Entre janeiro e setembro de 2025, o BH Airport recebeu mais de 80 toneladas de vacinas importadas, crescimento superior a 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo informações do próprio terminal. Além das vacinas, o aeroporto movimenta medicamentos, matérias-primas, produtos para diagnóstico, cosméticos e equipamentos médicos — itens que exigem rapidez e controle térmico e que podem ter a logística encarecida com a alta persistente do QAV.

O setor automotivo e parte da mineração também entram no radar. Peças de reposição, componentes de manutenção e cargas técnicas que não podem aguardar o transporte rodoviário ou marítimo são especialmente vulneráveis. Para a indústria, esse custo tende a aparecer menos como “produto mais caro na vitrine” e mais como pressão operacional, risco de atraso e impacto sobre produção e manutenção.

Impacto espalhado e desigual em Minas

O efeito da alta do QAV sobre Minas Gerais deve ser distribuído de forma desigual. O consumidor comum pode sentir primeiro na compra da passagem aérea, mas o encarecimento também chega indiretamente em fretes expressos, remessas urgentes de e-commerce e custos logísticos embutidos em setores como saúde e autopeças.

O próximo teste será verificar se a alta do petróleo e do QAV se sustenta nas próximas semanas — e se o governo federal sinalizará alguma medida de alívio tributário para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. A discussão ainda não tem data definida, mas tende a ganhar urgência caso as tarifas continuem subindo e o impacto sobre passageiros e cadeias produtivas se aprofunde.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.