Segundo o BH Airport, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, já opera cinco salas VIP — quatro no embarque nacional e uma no internacional. O número ajuda a mostrar como o terminal mineiro entrou de vez na rota da experiência premium no país. Mas a expansão desses espaços também revela outra disputa, menos visível ao passageiro: a dos bancos e emissores de cartão para manter clientes de maior renda engajados em seus ecossistemas de serviços.
Confins virou ativo estratégico na experiência premium
A leitura econômica desse movimento vai além do conforto do viajante. O próprio BH Airport passou a tratar as salas VIP como parte relevante da experiência do terminal, inclusive com acesso avulso e diferenciação de serviço. Isso indica que o aeroporto não vê mais o lounge como item periférico, mas como componente de valor agregado para um público que viaja mais, consome mais e costuma ser alvo preferencial de bancos, companhias aéreas e bandeiras de cartão.
Esse reposicionamento ganhou força em 2025, quando a Advantage VIP Lounge, em Confins, foi eleita a melhor sala VIP do mundo pela Priority Pass. Segundo o BH Airport, foi a primeira vez que uma sala brasileira recebeu o principal prêmio global da rede. O espaço tem quase 1.000 metros quadrados, capacidade para 236 pessoas simultaneamente, funcionamento 24 horas e acesso com fast track, o que reforça a ideia de que a experiência premium virou um diferencial competitivo do terminal mineiro.
Como o Inter entrou nessa disputa de salas VIP
É nesse cenário que o Banco Inter, nascido em Minas Gerais, tenta consolidar sua posição. Em Confins, a sala VIP Lounge Inter – BRT fica no embarque doméstico, próxima ao portão 1, funciona 24 horas e tem 192 metros quadrados, com capacidade para cerca de 50 pessoas. O BH Airport destaca ainda que o ambiente incorpora elementos visuais ligados a Minas Gerais, numa estratégia que mistura conveniência, marca e identidade regional.

No site oficial e na central de ajuda, o Inter informa que clientes Win e Prime têm acesso gratuito e ilimitado às salas próprias do banco, enquanto outros usuários podem utilizar pontos Loop para entrar. O banco também afirma manter salas próprias em Guarulhos, Curitiba e Confins, além de acesso a mais de 1.700 salas por meio do Priority Pass. Na prática, isso mostra que o lounge deixou de ser apenas um benefício complementar do cartão e passou a integrar a estratégia de retenção e relacionamento do banco com a base de maior renda.
O papel do Pix nessa mudança
Esse reposicionamento dos bancos coincide com a transformação do mercado de pagamentos no Brasil. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o Pix respondeu por 50,9% das transações de pagamento no primeiro semestre de 2025, consolidando-se como o instrumento mais utilizado no país. Esse avanço reduz o peso do cartão como ferramenta de conveniência básica no dia a dia e aumenta a importância de diferenciais ligados a experiência, benefícios e fidelização.
Não se trata de dizer que o Pix substituiu o cartão em tudo. O crédito continua central para parcelamento, viagem e programas de recompensa. Mas é razoável inferir, a partir dos dados do Banco Central e da estratégia oficial do Inter, que os bancos passaram a defender com mais intensidade benefícios difíceis de replicar em uma simples transferência instantânea. A sala VIP entra exatamente nesse ponto: ela ajuda a manter o cliente concentrando gastos, relacionamento e percepção de valor dentro do banco.
O que observar daqui para frente
Para Belo Horizonte, o efeito é claro: Confins deixou de ser apenas um aeroporto com serviços premium e passou a ser uma vitrine local da guerra nacional por clientes de alta renda. O próximo passo dessa disputa provavelmente não será apenas abrir mais lounges, mas refinar as regras de acesso, elevar a segmentação e buscar eficiência no custo do benefício. O passageiro continuará vendo conforto e conveniência; por trás disso, seguirá uma competição cada vez mais sofisticada entre bancos, operadoras e programas de fidelidade.