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Do Petróleo ao Carrinho: Como a guerra no Irã vai encarecer o supermercado em Belo Horizonte

A tensão no Irã e o risco iminente no Estreito de Ormuz — por onde passa 20% do petróleo mundial — dispararam um alerta vermelho na economia mineira. Com o barril do tipo Brent rompendo a barreira dos US$ 80 e a ureia (insumo para fertilizantes) subindo 13%, o mercado já projeta um “efeito dominó” nos preços dos alimentos em Belo Horizonte.

O impacto não é apenas no posto de gasolina. Ele chega à mesa do belo-horizontino através do frete mais caro, do dólar pressionado e do custo de produção no campo. Confira os itens mais sensíveis a esse choque:

1. Óleo de Soja e Industrializados

O óleo de soja é o primeiro a reagir. Com o petróleo caro, o biodiesel (que usa a soja como base) ganha fôlego, aumentando a disputa pela matéria-prima.

  • O que sobe: Margarinas, maioneses, biscoitos e frituras em geral. O aumento da mistura de biodiesel (B16) em março de 2026 deve apertar ainda mais essa oferta.

2. Açúcar e Doces (O Efeito Etanol)

A regra é clara: se o petróleo sobe, as usinas preferem fabricar etanol (combustível) do que açúcar. Menos açúcar no mercado significa preços mais altos para o consumidor final.

  • O que sobe: Açúcar cristal, refrigerantes, sucos e toda a confeitaria de BH.

3. Pãozinho, Macarrão e Biscoitos

O trigo é uma commodity extremamente sensível ao dólar e ao frete internacional. Com a aversão ao risco global, a moeda americana tende a subir, encarecendo a importação de grãos.

  • O que sobe: Pão francês, massas e farinhas.

4. Carnes, Leite e Ovos

Aqui o impacto vem pela ureia (+13%). O fertilizante mais caro encarece a ração (milho e soja) e as pastagens. Além disso, o diesel mais caro encarece o transporte do campo até o Ceasa-MG.

  • O que sobe: Frango e ovos são os primeiros a sentir o “custo ração”, seguidos pelo leite e carne bovina.

5. Hortifruti (Verduras e Legumes)

Frutas e legumes dependem de logística diária. O diesel é o coração desse abastecimento. Se o combustível sobe na refinaria, o repasse nas feiras e sacolões de BH costuma levar de duas a três semanas para se consolidar.

Quando a conta chega em BH?

  • Imediato (até 15 dias): Óleo, açúcar e produtos de prateleira ligados ao mercado internacional.
  • Curto Prazo (até 45 dias): Carnes e leite, conforme o custo da ração e do frete é repassado.
  • Médio Prazo (3 meses): O efeito dos fertilizantes mais caros na safra atual.

O mercado mineiro é rodoviário por excelência. Qualquer espirro no preço do diesel na refinaria vira pneumonia no custo do frete que abastece o Ceasa em Contagem. O diferencial agora é a Petrobras: a estatal sinalizou que não vai repassar a volatilidade diária da guerra imediatamente, o que serve como um “colchão” para BH.

No entanto, se o conflito no Estreito de Ormuz se prolongar, nem a maior das proteções vai impedir que o pão de queijo e o almoço de domingo fiquem mais caros. A dica para o consumidor é: antecipe as compras de itens não perecíveis (estoque de óleo e açúcar) antes que o repasse do “prêmio de risco” chegue às gôndolas.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.