O comércio de Minas Gerais passou por um teste de resistência em 2025 e, no apagar das luzes, conseguiu entregar um boletim positivo. Apesar de uma leve escorregada nas vendas de dezembro, o varejo mineiro fechou o ano passado com um crescimento de 1,8% no acumulado de 12 meses, segundo dados analisados pela Fecomércio MG com base na pesquisa do IBGE.
O resultado mostra um mercado resiliente. Mesmo com o crédito caro e a cautela do consumidor, o lojista mineiro conseguiu manter o caixa girando melhor do que a média nacional.
Quem puxou a fila do crescimento?
No varejo restrito (que engloba os bens de consumo essenciais e do dia a dia), os mineiros abriram a carteira com foco em saúde e bem-estar. Os campeões de desempenho no ano foram:
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria/cosméticos: Alta expressiva de 9,3%.
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: Crescimento de 5,9%.

Isso sinaliza uma mudança de hábito: com a economia apertada, o consumidor adia a troca da geladeira, mas não corta o remédio ou o cosmético.
O “Comércio Ampliado”: Veículos e Atacado salvam o fim do ano
Quando colocamos na conta o chamado “varejo ampliado” (que inclui itens de maior valor agregado, como carros e materiais de construção), Minas Gerais descolou do resto do Brasil.
Na comparação direta entre dezembro de 2025 e o mesmo mês do ano anterior, o estado saltou 5,4%. Os motores dessa alta foram:
- Atacado especializado em alimentos e bebidas: 22,4%.
- Veículos, motocicletas e peças: Alta de 7,5%.
- Material de construção: Elevação de 3,9%.

O tropeço de dezembro é motivo para pânico?
Os dados mostram que, isoladamente, o mês de dezembro de 2025 teve uma retração de -0,3% em relação a novembro. Mas, para os especialistas, isso não significa que o trem descarrilou.
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, explica que a queda é um ajuste de curto prazo e não uma reversão de tendência.
“No comércio ampliado, Minas Gerais demonstra desempenho relativamente mais consistente do que a média nacional, especialmente em veículos e no atacado. Isso indica que, mesmo diante de juros elevados e de um ambiente de crédito mais restritivo, o varejo mantém resiliência”, detalha a economista.
O recado para 2026 está dado: o consumidor mineiro continua comprando, mas exige que o lojista seja estratégico, já que o dinheiro está mais suado.