Belo Horizonte encerrou o Carnaval de 2026 com números superlativos e o título de um dos maiores (e mais seguros) do Brasil. Mas, por trás dos trios elétricos, banheiros químicos, grades e palcos, existe uma engrenagem invisível para a maioria dos foliões. Neste ano, a “chave da cidade” para a produção operacional da festa foi entregue a uma empresa com DNA 100% local: a RG Produções.
A escolha de uma produtora sediada na capital mineira reflete um amadurecimento do mercado de entretenimento de BH. Em vez de importar logística de outros estados, a cidade provou que tem musculatura própria para erguer e desmontar um megaevento em vias públicas.
A Prata da Casa: O Dinheiro Fica em BH
Quando uma empresa local assume um evento dessa magnitude, o impacto econômico é imediato. A RG Produções priorizou a contratação de fornecedores da própria cidade, garantindo que o dinheiro e a arrecadação de impostos circulassem dentro de Belo Horizonte. Os números da operação impressionam:
- Equipe Estratégica: 50 produtores fixos no planejamento.
- Mão de Obra Direta: 5.000 profissionais mobilizados durante os dias de folia.
- Empregos Indiretos: Mais de 10 mil postos de trabalho gerados na cadeia de serviços.
Das Arenas Fechadas para o Caos das Ruas

Os sócios da produtora, Guilherme Leonart e Raisa Gazzinelli, não caíram de paraquedas na folia. A RG Produções trouxe para a rua a bagagem pesada de quem já domina a logística das três grandes arenas da cidade (Mineirão, Arena MRV e Independência). O portfólio da empresa explica a expertise: eles são os responsáveis por gigantes como Samba Prime, Festival Brasil Sertanejo, os recentes Ensaios da Anitta e até a operação do complexo BH Stock Festival (Stock Car).
“Atuamos em grandes festivais e nas três arenas da cidade. O que nos trouxe uma grande expertise para chegar até aqui e conseguir fazer a entrega do Carnaval de Belo Horizonte”, explica Guilherme Leonart.
O Desafio: Montar uma ‘Cidade’ sem parar o Trânsito
Produzir um show em um estádio é difícil, mas produzir o Carnaval é montar um quebra-cabeça com a cidade em movimento. A montagem e a desmontagem das estruturas concorrem diretamente com o trânsito, hospitais e a rotina do morador.
Para a sócia Raisa Gazzinelli, o conhecimento profundo das “manhas” da capital foi o diferencial. “O maior gargalo do carnaval é que ele ocorre em vias públicas. Por isso é de suma importância o trabalho em equipe com os órgãos públicos e a Belotur. O mais importante é ter tranquilidade e serenidade para resolver os grandes desafios”, destaca a empresária.
No fim das contas, a entrega técnica impecável de 2026 consolida o setor de eventos de BH no mapa nacional. Como resumiu Guilherme Leonart, o empenho foi em dobro por um motivo simples: “Trata-se da nossa cidade, das nossas raízes”.