A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) completou 93 anos de fundação. Mas, nos corredores do poder em Belo Horizonte e em Brasília, o comentário não é sobre a idade da instituição, e sim sobre o peso que ela ganhou na última década.
Sob a batuta de Flávio Roscoe, a FIEMG deixou de ser vista apenas como um “clube de industriais” ou uma entidade burocrática de arrecadação do Sistema S. Ela se transformou em uma das vozes mais temidas, respeitadas e ativas do PIB nacional. E isso cria um problema bom (porém complexo) para o futuro: o sarrafo da sucessão ficou alto demais.
Do Silêncio ao Megafone Político
Historicamente, federações industriais preferiam atuar nos bastidores, evitando atritos diretos com governos. Roscoe inverteu essa lógica. Durante sua gestão, a FIEMG assumiu a linha de frente em debates espinhosos. Seja peitando decisões do STF sobre leis trabalhistas, liderando a cobrança pública pela duplicação da BR-381, ou articulando os interesses mineiros na Reforma Tributária, a entidade ganhou o microfone.
- A Estratégia: Roscoe entendeu que a indústria mineira perdia competitividade por falta de “lobby” transparente e agressivo. Ao se posicionar de forma firme (mesmo quando impopular entre políticos), ele blindou o setor produtivo e tornou a chancela da FIEMG obrigatória para qualquer projeto econômico em Minas.
A FIEMG “Mão na Massa”: Pandemia e Sustentabilidade
O ponto de virada na percepção pública da entidade não ocorreu em um gabinete, mas durante a maior crise do século. Na pandemia de Covid-19, enquanto o poder público batia cabeça, a FIEMG mobilizou fábricas, consertou milhares de respiradores mecânicos abandonados e produziu máscaras. Mostrou agilidade de startup em um corpo de quase 90 anos.
Nos anos seguintes (e culminando agora em 2026), a gestão transformou a estrutura do SENAI e SESI.
- O Fim do “Chão de Fábrica” Velho: Como mostramos aqui no Moon BH, a FIEMG liderou a pauta da Indústria 4.0 e da Descarbonização. O CIT SENAI (Centro de Inovação e Tecnologia) virou referência em Inteligência Artificial e transição energética. A federação passou a entregar tecnologia real, e não apenas discursos de ESG.
O Desafio da Sucessão: Quem calça esses sapatos?
Chegar aos 93 anos com esse nível de relevância coloca uma pressão monumental sobre as próximas gestões da Casa da Indústria. O “Sarrafo Roscoe” estabeleceu que o presidente da FIEMG não pode ser apenas um ‘cumprimentador oficial’. O mercado agora exige um líder que seja, simultaneamente:
- Articulador em Brasília (para brigar por concessões, ferrovias e impostos).
- CEO de Inovação (para manter o SENAI na vanguarda da IA e da energia limpa).
- Gestor de Crises (com trânsito livre entre o governador de Minas e o Governo Federal).
Veredito: Aos 93 anos, a FIEMG vive seu ápice de influência. A grande vitória de Flávio Roscoe não foi apenas defender a indústria, mas provar que Minas Gerais não precisa pedir licença a São Paulo ou Brasília para ditar os rumos da economia nacional.