Minas Gerais sempre foi sinônimo de minério de ferro. Mas, se depender dos planos estratégicos desenhados para esta década, o “sobrenome” do estado vai mudar. Um levantamento setorial aponta que a mineração mineira deve receber US$ 19,7 bilhões (quase R$ 115 bilhões) em investimentos até 2030.
O dado mais interessante, porém, não é o valor, mas o destino dele. Uma fatia crescente desse dinheiro não vai para o ferro, mas para os chamados Minerais Críticos e Estratégicos. São elementos como Lítio, Nióbio, Terras Raras, Cobre e Níquel — a matéria-prima básica da transição energética global.
A Nova Tabela Periódica de Minas
Enquanto o mundo tenta se livrar do petróleo, a demanda por minerais que fazem baterias e componentes eletrônicos explode. Minas Gerais tirou a sorte grande na loteria geológica:
- Lítio (O Ouro Branco): O Vale do Jequitinhonha já é realidade, atraindo players globais para a produção de baterias de carros elétricos (EVs).
- Nióbio: Araxá continua sendo a capital mundial desse metal que deixa o aço mais leve e resistente.
- Terras Raras: Essenciais para ímãs de turbinas eólicas e motores elétricos, com projetos promissores em desenvolvimento no estado.
- Cobre e Níquel: Fundamentais para a fiação e armazenamento de energia.
“O ferro paga as contas de hoje, mas os minerais críticos garantem a relevância de Minas na geopolítica de 2050”
Tecnologia: A Mineração 4.0
Esqueça a imagem do garimpeiro com a bateia. Extrair terras raras ou separar lítio exige alta tecnologia. Os novos investimentos de 2026 já preveem plantas industriais automatizadas, uso de Inteligência Artificial para mapeamento geológico e técnicas de processamento a seco (que eliminam a necessidade de grandes barragens de rejeito, o calcanhar de Aquiles do setor). Minas não quer apenas exportar a pedra bruta; o objetivo é atrair fábricas de baterias e componentes para agregar valor aqui dentro.
O Desafio: Crescer sem Destruir
A grande barreira para esse “Boom” é ambiental e social. Como mostramos no caso do Lítio no Jequitinhonha, a população cobra que a riqueza do subsolo se transforme em qualidade de vida na superfície. O licenciamento ambiental para esses novos projetos está mais rigoroso, exigindo contrapartidas hídricas e sociais claras. Não há espaço para repetir os erros de Mariana e Brumadinho. A “Mineração Verde” precisa provar que é segura na prática, não apenas no relatório ESG.
Curiosidade: O DNA da Adaptação
Historicamente, Minas Gerais é um camaleão mineral.
- Séc. XVIII: O Ciclo do Ouro fundou nossas cidades históricas.
- Séc. XIX/XX: O Diamante e depois o Ferro industrializaram o estado.
- Séc. XXI: Os Minerais Críticos nos colocam no centro da revolução tecnológica.
O estado sempre soube se reinventar conforme a demanda do mundo. A diferença, agora, é que o mundo quer uma mineração que ajude a salvar o planeta (via energia limpa), e não a destruí-lo.