A inteligência artificial (IA) deixou de ser papo de PowerPoint e virou rotina no chão de fábrica em Minas Gerais. Um dado revelador do IBGE mostra o tamanho do salto: em 2024, 41,9% das indústrias brasileiras já utilizavam IA, contra apenas 16,9% em 2022.
E Minas está no epicentro dessa virada. O estado, historicamente conhecido pela indústria pesada (aço, mineração e automotivo), descobriu que aplicar “cérebro digital” em processos brutos gera milhões em economia. O que antes era apenas automação agora é uma rede complexa de sensores e algoritmos tomando decisões em tempo real em cidades como Betim e Contagem.
O Que é Indústria 4.0 na Prática?
Esqueça a ideia de que Indústria 4.0 é apenas colocar um robô na linha de montagem. A revolução que acontece na Grande BH é invisível e baseada em dados:
- Manutenção Preditiva: A máquina “avisa” antes de quebrar. Sensores escutam a vibração e o calor, e a IA alerta o engenheiro.
- Visão Computacional: Câmeras inteligentes inspecionam soldas e peças em milissegundos, achando defeitos que o olho humano deixaria passar.
- Gêmeo Digital: Fábricas inteiras são simuladas no computador antes de serem construídas ou alteradas na vida real.
Os Motores da Mudança: Contagem e Betim
A Região Metropolitana de BH tornou-se o laboratório a céu aberto dessa tecnologia.

- O Centro 4.0 do SENAI (Contagem): Um espaço que simula uma fábrica real, onde empresas testam IoT (Internet das Coisas), Realidade Aumentada e Cibersegurança antes de gastar milhões na planta própria. É onde a teoria vira prática.
- A “Fábrica Inteligente” (Betim): A planta da Stellantis/Fiat é o exemplo máximo. Lá, Exoesqueletos (para reduzir esforço humano), Big Data e óculos de Realidade Virtual já fazem parte do dia a dia da produção de carros.
Sustentabilidade Virou Engenharia
O pulo do gato em 2026 é que a tecnologia agora serve ao meio ambiente. A FIEMG lançou o Centro CIT SENAI de Descarbonização, focado em usar a tecnologia para substituir combustíveis fósseis e capturar CO². Na mineração e siderurgia, a IA é usada para medir e controlar o consumo de energia no nível do milímetro. “Indústria Verde” deixou de ser campanha de marketing e virou métrica de eficiência.
O Desafio: Falta Gente Qualificada
Apesar do avanço das máquinas, o gargalo continua humano. A CNI aponta que a falta de trabalhadores qualificados trava a expansão. Hoje, o operário da indústria mineira precisa entender de mecânica, mas também de tablet, dados e sustentabilidade. O recado para o profissional de Minas é claro: o emprego existe, mas ele exige um novo “sistema operacional” na cabeça do trabalhador.