O cafeicultor mineiro vive um dilema histórico em 2025. Olhando para a tela do computador, ele vê o preço da saca de café bater recordes inimagináveis (ultrapassando R$ 2.565,00 no Brasil e US$ 4,40 por libra-peso em Nova York). Olhando para a lavoura, porém, ele vê menos grãos nos pés.
Minas Gerais, o motor cafeeiro do mundo, enfrenta uma quebra de safra impulsionada pelo clima extremo. A estimativa oficial aponta uma queda de 9,2% na produção do café arábica no estado. O resultado é um mercado em ebulição: quem tem café para vender, tem ouro nas mãos.
Por que o café virou artigo de luxo?
A matemática é cruel e simples: a oferta diminuiu drasticamente enquanto o mundo continua sedento por cafeína.
- O Clima: O calor fora da curva e a seca entre agosto e outubro de 2024 castigaram as floradas. O resultado são grãos “chochos” (malformados) e menor rendimento.
- Os Estoques: O mundo está com estoques baixos. Com problemas também na safra do Vietnã (maior produtor de robusta), a pressão recaiu toda sobre o Brasil.
- O Preço: Com medo de faltar café, o mercado financeiro jogou o preço lá no alto.
A Revolução Silenciosa: Conilon e Irrigação
Para sobreviver a esse “novo normal” climático, a cafeicultura mineira está mudando de cara.
- O “Primo Pobre” Enriqueceu: O café Conilon (mais resistente ao calor e antes desprezado em Minas) disparou. A produção mineira desse tipo de grão deve crescer 50,2% em 2025. É a aposta do produtor para não ficar refém do clima sensível que o Arábica exige.
- Água como Seguro: A irrigação deixou de ser luxo. Cooperativas como a Cooxupé relatam uma corrida por sistemas de irrigação e fertirrigação. O produtor entendeu que não pode mais rezar pela chuva; ele precisa garantir a água artificialmente.
O Efeito na Gôndola (e no seu Bolso)
Para o consumidor de Belo Horizonte, a notícia é amarga. Com a saca batendo recorde no campo, a indústria repassa esse custo para o varejo. O café “extra forte” do supermercado e o espresso da padaria tendem a ficar mais caros ou manter os preços elevados ao longo de 2026. O brasileiro não vai parar de beber (somos viciados em 1.430 xícaras por ano, em média), mas vai pagar mais caro por cada gole.
Por outro lado, a expectativa é que a produção nacional cresça 17% neste ano, já que a safra de café é ruim em um ano e boa no outro. Um fenômeno da natureza.