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Só 24% das empresas de MG estão prontas para a Reforma; risco é ‘quebrar’ o caixa

Minas Gerais entrou em fevereiro de 2026 vivendo um paradoxo perigoso. Enquanto o governo anuncia que este é o “ano de testes” da Reforma Tributária, a realidade operacional nos escritórios de contabilidade e financeiro é de caos silencioso.

Um levantamento alarmante do Tax Group, realizado com 331 controladores e empresários, revela que apenas 24,3% das empresas mineiras estão se adequando às exigências. O dado expõe uma fragilidade crítica: a maioria dos gestores acha que o problema é “pagar imposto”, quando o verdadeiro gargalo será ficar sem dinheiro em caixa.

O “Choque de Caixa” e o Fim do Giro

O estudo aponta que quase 90% das empresas mineiras não sabem como o novo IVA (Imposto sobre Valor Agregado) vai afetar seu capital de giro. Por que isso é grave? No modelo antigo, a empresa recebia o valor total da venda (produto + imposto) e “segurava” o tributo no caixa por dias ou semanas até a data de recolhimento. Isso funcionava como capital de giro “grátis”. Com a Reforma e o provável Split Payment (pagamento dividido), o imposto é separado na hora da transação. O dinheiro do tributo nem passa pela conta da empresa.

Tradução: Sua empresa vai ter menos dinheiro disponível na conta corrente do dia a dia. Para setores como indústria e atacado em Minas, que têm ciclos longos de estoque e logística, isso pode significar falta de liquidez (dinheiro vivo) para pagar contas.

2026: O “Teste” que pode custar caro

Muitos empresários caíram na armadilha de achar que 2026 é um “ensaio sem plateia”. Errado. Embora a cobrança efetiva seja escalonada, a Receita Federal exige que os novos tributos (CBS e IBS) já apareçam destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas e documentos digitais. Quem não atualizar o ERP (sistema de gestão) e parametrizar os códigos agora, não vai conseguir emitir nota. E quem não emite nota, não vende.

Por que Minas está mais exposta?

O cenário mineiro é peculiar e agrava o risco:

  1. Cadeia Longa: Nossa economia depende de mineração, siderurgia e agroindústria. Se um fornecedor no meio da cadeia estiver “desorganizado” fiscalmente, ele trava o crédito tributário do cliente grande. O mercado vai punir o fornecedor atrasado.
  2. Muitos Serviços: A área de serviços (clínicas, escolas, TI, construção) sofrerá com a padronização nacional da Nota de Serviço (NFS-e). Quem opera com sistemas “caseiros” vai travar.

Checklist de Sobrevivência: O que fazer AGORA

Se sua empresa está nos 75% que ainda não se mexeram, o estudo recomenda ações imediatas para não “comprar prejuízo”:

  • Revisar Contratos: Insira cláusulas de repasse de custos tributários.
  • Atualizar o ERP: Seu sistema já tem os campos de CBS/IBS? Teste agora.
  • Recalcular o Caixa: Simule como sua empresa sobrevive sem o dinheiro do imposto girando na conta.
  • Auditoria de Cadastro: Classifique seus produtos (NCM) corretamente. Erro de cadastro vai gerar imposto errado automático.

Veredito: A reforma foi vendida como simplificação, mas chega primeiro como um choque de gestão. Em Minas, o risco não é apenas pagar mais caro — é quebrar por falta de organização.

Tati Oliveira
Tati Oliveira
Há quase 15 anos no mercado de comunicação, é apaixonada pela notícias e trabalha no jornalismo cobrindo entretenimento, grandes eventos e futebol.