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Como o desaquecimento da China ameaça o bolso de Minas Gerais em 2026

Minas Gerais vive uma verdade incômoda, raramente dita em voz alta nos gabinetes oficiais: boa parte do “bom humor” econômico do estado é importado — e chega em navios graneleiros. O ano de 2026 começa com o mercado global mandando um recado claro: a China não quebrou, mas o ciclo de “aço infinito” acabou.

Para o mineiro, isso não é apenas uma manchete de jornal internacional. É um choque que atravessa o preço do minério, define a arrecadação de royalties (CFEM) das prefeituras e dita o ritmo de emprego no Quadrilátero Ferrífero.

O Que Está Acontecendo na China? (Sem Romantismo)

Esqueça os crescimentos de dois dígitos. Segundo projeções do FMI para 2026, o PIB chinês deve avançar cerca de 4,5%. É um “pouso suave”, uma normalização. O termômetro decisivo para Minas, porém, é o Aço.

  • A Queda: Em 2025, a produção chinesa de aço caiu para 960,1 milhões de toneladas (recuo de 4,4%). Foi a primeira vez desde 2019 que o volume ficou abaixo de 1 bilhão.
  • O Significado: Menos aço sendo feito na China significa, teoricamente, menos fome por minério de ferro. O mercado virou: acabou a euforia de volume a qualquer custo; agora, a briga é por margem.

O Paradoxo: Eles compram muito, mas pagam menos?

Aqui entra a nuance que separa a análise séria do pânico infundado. Mesmo produzindo menos aço, a China importou um recorde de 1,26 bilhão de toneladas de minério em 2025. Por que? Recomposição de estoques. O Risco para 2026: O impacto em Minas não será um “apagão de demanda” (eles vão continuar comprando), mas uma compressão de preços. O Banco Mundial e a própria Vale já trabalham com cenários de minério (referência 62% Fe) na casa dos US$ 95 a US$ 110 por tonelada. O tempo do minério a US$ 150/t ficou no retrovisor.

O Bolso do Estado: CFEM e o Perigo Político

Minas não sente o ciclo apenas na exportação; sente no caixa. Em 2025, a arrecadação de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) somou R$ 1,17 bilhão para todos os estado. Em um ano pré-eleitoral como 2026, o perigo é o descompasso:

  1. Prefeituras e Estado tendem a querer gastar mais e fazer obras.
  2. A Receita do Minério tende a ficar estagnada ou cair devido aos preços internacionais mais baixos.

Se o preço escorregar demais, o “colchão” financeiro de cidades como Nova Lima, Itabira e Parauapebas (no caso do Pará, mas que afeta a lógica nacional) diminui. O desaquecimento chinês não quebra Minas, mas encurta a corda do orçamento público.

O Chão de Mina: Vale e a Busca por Qualidade

No micro, a resposta das mineradoras é eficiência. A Vale fechou 2025 com produção sólida de 336,1 milhões de toneladas (melhor nível desde 2018), impulsionada por projetos mineiros como Capanema e VGR1. Com o preço “apertado” pela China, o jogo muda:

  • Prêmio de Qualidade: O minério mineiro (mais rico) ganha vantagem sobre concorrentes de menor teor, pois ajuda a siderúrgica chinesa a poluir menos e ser mais eficiente.
  • Diversificação: O mercado começa a olhar para a “Ásia ex-China”. Índia e Vietnã surgem como compradores emergentes, oferecendo uma rota de fuga para a dependência chinesa.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.