Em Belo Horizonte, o Outback Steakhouse não cresceu apenas no número de filas na porta. A rede consolidou um modelo de gestão raro no Brasil: em vez de franquias compradas por investidores externos, a marca opera com sócios-proprietários que, na maioria das vezes, começaram limpando mesas ou grelhando bifes.
Com 7 unidades espalhadas pelos principais shoppings da capital, cada operação envolve um investimento estimado em R$ 5 milhões. Mas a chave do sucesso não é o dinheiro, é o “suor”: 84% dos sócios no Brasil são ex-funcionários que subiram na carreira.
Não vende-se franquia, conquista-se a sociedade
A Bloomin’ Brands (controladora da marca) tem uma regra clara: não existe formulário para “comprar” um Outback. O operador da loja é escolhido a dedo pela companhia. Depois de selecionado, o profissional passa por um treinamento rigoroso de mais de um ano. Na prática, é um “empreendedorismo interno”: a empresa banca a maior parte do investimento milionário da obra, e o sócio entra com uma parcela menor, recebendo pró-labore e participação nos lucros.
A lógica é simples e poderosa: quem lidera a operação tem pele em jogo (skin in the game).
O Mapa do Outback em BH
Hoje, a rede domina os corredores dos shoppings da capital. As 7 lojas estão localizadas em:
- BH Shopping (Belvedere)
- Diamond Mall (Lourdes/Centro-Sul)
- Pátio Savassi (Savassi)
- Shopping Del Rey (Pampulha/Caiçara)
- Boulevard Shopping (Santa Efigênia)
- Shopping Estação (Venda Nova/Norte)
- Minas Shopping (Nordeste)
O Caso Real: De atendente em BH a dona em Contagem
O modelo não é apenas discurso corporativo. Um exemplo clássico aconteceu na Região Metropolitana: a unidade de Contagem é comandada por Daniela Antunes. Ela começou como atendente em uma loja de BH, passou 12 anos na rede, virou treinadora e, após provar valor, foi convidada para ser a sócia-proprietária da nova operação de R$ 5 milhões.
Por que isso funciona?
Para o mercado mineiro, exigente com serviço, esse modelo traz três vantagens:
- Retenção de Talentos: Em um setor onde a rotatividade é alta, o funcionário vê um futuro real de ascensão.
- Padrão: O dono sabe exatamente como a cozinha funciona, porque ele já trabalhou lá.
- Meritocracia: Menos glamour de “investidor de vitrine” e mais obsessão por rotina e atendimento.
Em resumo: o Outback cresce em BH porque entendeu que o melhor jeito de cuidar do negócio é entregar a chave para quem ajudou a construí-lo.