A madrugada desta segunda-feira (12) entrou para os livros de história da ciência mineira. Pela primeira vez, um satélite totalmente desenvolvido em Minas Gerais foi lançado ao espaço. Batizado com o nome mais mineiro possível, o UaiSat decolou às 1h47 (horário de Brasília) a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia.
Embora a missão tenha enfrentado problemas técnicos no veículo lançador, o legado do projeto é irreversível: Minas Gerais provou que detém a tecnologia completa para construir, testar e colocar equipamentos em órbita.
O Pequeno Gigante: O que é o UaiSat?
O UaiSat não é um satélite comum. Ele é um PocketQube, um nanossatélite de apenas 5 cm x 5 cm. Parece pequeno, mas carrega tecnologia de ponta voltada para pesquisa científica e inovação. O projeto foi desenvolvido no Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE) da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), no campus Alto Paraopeba, tornando-se também o primeiro do tipo construído por uma universidade brasileira.
O Lançamento e a Anomalia
O satélite estava a bordo do foguete PSLV-C62, da Agência Espacial Indiana (ISRO). A decolagem foi perfeita, mas uma anomalia registrada no final do terceiro estágio fez com que o foguete perdesse o controle cerca de dez minutos após o lançamento, impedindo a inserção dos satélites na órbita correta e resultando no retorno à atmosfera.
Por que isso é uma vitória para Minas?
No setor aeroespacial, diz-se que “o espaço é difícil” (space is hard). Falhas em foguetes são comuns, mas o grande ativo de Minas Gerais permanece intacto: o conhecimento (know-how).
O desenvolvimento do UaiSat, acompanhado pela empresa Uai Soluções e Integração (incubada no Ouro Hub do IFMG em Ouro Branco), coloca o estado em um grupo seletíssimo.
O foguete caiu, mas a tecnologia fica. Minas Gerais hoje tem a ‘receita do bolo’ pronta, engenheiros capacitados e hardware validado para construir novos satélites a qualquer momento.
O que antes parecia coisa da NASA ou de grandes potências, hoje é feito no interior de Minas. O UaiSat 1 pode não ter orbitado, mas abriu a estrada para o UaiSat 2, 3 e uma nova era de inovação no estado.