O que Acre, São Paulo, Pará e Minas Gerais mais vendem para outros países diz bastante sobre as diferenças entre as economias brasileiras. Enquanto alguns estados dependem fortemente do agronegócio, outros têm petróleo, mineração ou indústria como protagonistas de suas exportações.
Para descobrir qual é o produto mais exportado de cada estado do Brasil, o Moon BH considerou o valor das vendas externas em 2025, último ano completo disponível, com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Comex Stat.
A base oficial permite separar as exportações pela unidade de origem do produto e pelo valor FOB. Embora já existam números de janeiro a julho de 2026, usar o ano completo evita distorções causadas por safras e grandes embarques concentrados em determinados meses.
Em 2025, São Paulo liderou as exportações entre os estados, com US$ 71,1 bilhões. Rio de Janeiro veio em seguida, com US$ 48 bilhões, e Minas Gerais apareceu em terceiro lugar, com US$ 45,7 bilhões.
Norte vai da carne bovina ao minério de ferro

A Região Norte apresenta uma das pautas mais variadas do país. O Pará é fortemente associado à mineração, enquanto soja e pecuária ganham espaço em estados de expansão recente do agronegócio.
- Acre: carne bovina
- Amapá: madeira em estilhas e partículas
- Amazonas: preparações alimentícias
- Pará: minério de ferro
- Rondônia: carne bovina
- Roraima: soja
- Tocantins: soja
O Acre fechou 2025 com a carne bovina representando cerca de 27,9% de suas exportações, à frente da soja. Em Roraima, a soja também consolidou a posição de principal produto vendido pelo estado ao exterior, superando US$ 98 milhões no ano.
Já o Amapá apresenta uma característica diferente: madeira em estilhas ou partículas tem papel central na pauta comercial e o estado é um dos grandes exportadores brasileiros do produto.
Nordeste mistura açúcar, indústria e petróleo
Se no Norte a diversidade já chama atenção, o Nordeste consegue reunir desde produtos agrícolas tradicionais até automóveis, alumina e petróleo.
- Alagoas: açúcar
- Bahia: soja
- Ceará: ferro e aço
- Maranhão: alumina
- Paraíba: açúcar
- Pernambuco: automóveis
- Piauí: soja
- Rio Grande do Norte: óleo combustível
- Sergipe: petróleo bruto
A presença dos automóveis em Pernambuco é consequência direta do polo automotivo instalado no estado. Somente entre janeiro e maio de 2025, as vendas externas de veículos de passageiros somaram cerca de US$ 245 milhões, crescimento de 33,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
O mapa nordestino também mostra a permanência do açúcar como produto importante em estados tradicionais do setor sucroenergético, especialmente Alagoas e Paraíba, enquanto Bahia e Piauí revelam a expansão da soja pelo interior da região.
Centro-Oeste tem domínio da soja, com uma grande exceção
A resposta do Centro-Oeste é a mais previsível da lista em três de seus estados. Soja lidera em Mato Grosso, Goiás e aparece entre os grandes produtos da região.
- Goiás: soja
- Mato Grosso: soja
- Mato Grosso do Sul: celulose
Mato Grosso do Sul é quem quebra o padrão. O avanço de grandes projetos florestais e industriais transformou a celulose no principal produto exportado pelo estado, respondendo por aproximadamente 29% de suas vendas externas em 2025.
O Distrito Federal, apesar de não ser um estado, também integra o levantamento das unidades da Federação: sua pauta é bastante peculiar e teve o querosene de aviação entre os principais produtos exportados em 2025, resultado ligado ao abastecimento de aeronaves internacionais no Aeroporto de Brasília.
Sul ainda tem agro como protagonista
Os três estados do Sul também possuem forte presença do agronegócio nas exportações, embora as cadeias produtivas sejam diferentes.
- Paraná: soja
- Rio Grande do Sul: soja
- Santa Catarina: carne de frango
Santa Catarina é a exceção mais interessante. A forte indústria de proteína animal coloca a carne de frango no topo da pauta estadual, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul têm a soja como principal representante.
O resultado ajuda a mostrar que o agronegócio exportador brasileiro não se resume aos grãos. Carnes, açúcar, celulose e café também movimentam bilhões de dólares todos os anos.
Sudeste: petróleo, açúcar, minério e uma disputa apertada em Minas
A região com os três maiores estados exportadores do Brasil ficou para o final. Mesmo sendo o principal polo industrial do país, o Sudeste apresenta forte peso de commodities em suas vendas externas.
- Espírito Santo: minério de ferro
- Rio de Janeiro: petróleo bruto
- São Paulo: açúcar
- Minas Gerais: minério de ferro
No Rio de Janeiro, a diferença é enorme. Apenas os óleos brutos de petróleo movimentaram mais de US$ 37 bilhões em 2025, sustentando a maior parte da pauta exportadora fluminense.
São Paulo chama atenção por outro motivo. Apesar de possuir a economia mais industrializada do Brasil, é o açúcar que aparece no topo de sua pauta de produtos vendidos ao exterior.
Minério de ferro ainda vence o café em Minas Gerais
Em Minas Gerais, a liderança esteve longe de ser tranquila.
O estado exportou US$ 45,7 bilhões em 2025, o maior valor de sua série histórica e suficiente para deixar Minas atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro entre os maiores exportadores brasileiros.
O minério de ferro terminou o ano como principal produto mineiro, com 26,7% das exportações. Logo atrás apareceu o café, responsável por 24,6%.
A diferença é particularmente interessante porque, durante parte de 2025, o café chegou a ultrapassar o minério de ferro e assumir a liderança das exportações mineiras. No fechamento do ano, porém, os embarques minerais recuperaram a primeira colocação.
Depois deles apareceram ouro, com 7%; soja, com 6%; ferro-ligas, com 5,5%; açúcar, com 4,3%; e carne bovina, com 2,7%.
A China continua fundamental para a mineração mineira. China, Bahrein, Omã, Malásia e Japão concentraram juntos cerca de 95% das vendas externas de minério de ferro de Minas Gerais em 2025.
O café possui uma geografia bem mais diversificada. O produto mineiro chegou a 98 mercados internacionais, tendo Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica entre os principais compradores.
Dentro do estado, Nova Lima, São Gonçalo do Rio Abaixo e Ouro Preto tiveram peso elevado nos embarques de minério. Na cadeia do café, Varginha, Guaxupé e Alfenas ganharam protagonismo.
O resultado revela duas faces da economia mineira que disputam espaço no mercado internacional. De um lado está a mineração, historicamente associada ao desenvolvimento econômico de Minas; do outro, um agronegócio que transformou o estado em referência mundial na produção e exportação de café.
O cenário mineral também está mudando. Como o Moon BH já mostrou, Minas projeta bilhões de dólares em investimentos em lítio, nióbio, terras raras, cobre e outros minerais críticos até 2030. Veja os novos minerais que estão atraindo investimentos para Minas Gerais
Os dados detalhados de comércio exterior podem ser consultados na base oficial do Ministério do Desenvolvimento.


