Treloso, Pippo’s, Stikadinho, Serenata de Amor, Aymoré. Alguns produtos estão tão ligados ao lugar onde nasceram ou se consolidaram que acabam funcionando quase como uma lembrança afetiva de um estado inteiro.
Mas qual seria o biscoito, salgadinho ou doce mais famoso de cada estado do Brasil?
Não existe um ranking oficial que responda à pergunta. Por isso, o Moon BH fez uma seleção editorial considerando a origem da marca, sua ligação com o estado, tempo de mercado, presença regional e reconhecimento entre os consumidores.
O levantamento priorizou produtos industrializados e encontrados em mercados, como biscoitos, bolachas, salgadinhos, chocolates, balas e sorvetes. Em estados onde não há uma grande indústria regional desse segmento, entraram pequenas fábricas e produtos embalados que possuem forte identidade local.
O resultado mostra marcas gigantes nacionais, mas também nomes que provavelmente serão completamente desconhecidos para quem vive do outro lado do país.
Norte tem desde fábrica de biscoitos até chocolate amazônico
- Acre — Biscoitos Miragina
- Amapá — biscoitos de castanha Simone
- Amazonas — Biscoitos Mix Maná
- Pará — Chocolate De Mendes
- Rondônia — Chocolate ORO Cacau
- Roraima — Roraimí Chocolate
- Tocantins — Biscoito Amor-Perfeito
No Acre, a escolha é praticamente obrigatória. A Miragina é uma empresa familiar acreana com quase seis décadas de história e se apresenta como a primeira e única fábrica de biscoitos do estado. Seus produtos chegam aos 22 municípios acreanos, além de Rondônia e Amazonas. O governo do Acre já descreveu os biscoitos da empresa como parte do cotidiano da população.
No Amazonas, a representante é a Mix Maná, indústria de Manacapuru que começou como negócio familiar e passou a produzir biscoitos, roscas e pães em maior escala, chegando também ao mercado paraense.
Já Pará, Rondônia e Roraima mostram um movimento mais recente: o crescimento das barras de chocolate feitas com cacau amazônico. A De Mendes mantém sua fábrica em Santa Bárbara do Pará; a Franco Chocolates criou a linha ORO com cacaus produzidos em Rondônia; e a Roraimí nasceu em Caroebe como um chocolate “tree to bar”, produzido a partir do cacau da própria região.
No Tocantins, o Amor-Perfeito, de Natividade, é menos industrial que outros itens desta lista, mas ganhou uma dimensão tão grande que foi reconhecido como patrimônio cultural e histórico do estado.
Nordeste reúne algumas das marcas mais reconhecíveis da lista
- Alagoas — Cocada Cremosa Sococo
- Bahia — Biscoitos Petyan
- Ceará — Biscoito Fortaleza
- Maranhão — Biscoito Zé Pereira
- Paraíba — Salgadinho Pippo’s
- Pernambuco — Treloso
- Piauí — Peta Sabor do Piauí
- Rio Grande do Norte — Ster Bom
- Sergipe — Salgadinho Maratitos
Em Pernambuco, é difícil competir com o Treloso. A Vitarella surgiu no estado em 1993 e lançou a linha em 1998. O biscoito recheado ganhou enorme presença regional e se transformou em uma das marcas mais reconhecíveis da empresa.
Algo parecido acontece na Paraíba com o Pippo’s. O salgadinho pertence à São Braz, empresa instalada em Cabedelo, e é tratado pela própria fabricante como “sinônimo da categoria na região”.
No Ceará, a tradição industrial é ainda mais antiga. A história da M. Dias Branco começou com a fabricação de biscoitos na Padaria Fortaleza, em 1951, e ganhou produção em larga escala na Fábrica Fortaleza, em 1953. Décadas depois, Fortaleza continua sendo uma das marcas do grupo.
A Bahia ganha uma marca menos conhecida nacionalmente, mas de forte presença regional. A Petyan, instalada em Jequié, possui seis linhas de produção de biscoitos e massas e já distribui seus produtos para mais de 20 estados.
No Rio Grande do Norte, a escolha foge das bolachas. A Ster Bom nasceu no estado e alcançou 71% de participação no mercado potiguar de sorvetes em 2024. No mesmo ano, foi novamente a marca de sorvete mais lembrada pelos consumidores de Natal.
Sergipe fecha a região com a Maratá. Entre dezenas de produtos da empresa estão os salgadinhos Maratitos, vendidos em sabores como queijo, bacon, churrasco e pimenta mexicana.
Centro-Oeste tem Mabel, Bebela e Semalo
- Distrito Federal — Casa de Biscoitos Mineiros
- Goiás — Rosquinhas Mabel
- Mato Grosso — Pipoca Doce Bebela
- Mato Grosso do Sul — Salgadinho Semalo
Goiás talvez tenha o nome mais nacionalmente conhecido do grupo. Embora a história da Mabel tenha começado fora do estado, foi em Aparecida de Goiânia que a empresa construiu uma relação tão forte com Goiás que suas bolachas passaram a integrar a própria memória industrial goiana. As rosquinhas se tornaram um de seus produtos mais característicos.
Em Mato Grosso, a escolha é a Bebela, da Mika Alimentos. A empresa está em Cuiabá desde 1993 e produz uma linha de guloseimas que inclui pipoca doce, geladinho e biscoitos, distribuídos em vários estados da região Norte e Centro-Oeste.
Já Mato Grosso do Sul possui uma representante perfeita para esta lista: a Semalo. A fabricante de Campo Grande surgiu em 1994 e hoje produz mais de 70 itens, incluindo salgadinhos de milho e trigo, batatas chips, tortilhas e pipoca doce. A empresa afirma estar presente em mais de 150 mil pontos de venda.
No Distrito Federal, onde é mais difícil apontar uma indústria de guloseimas tão identificada com Brasília, a seleção fica com a Casa de Biscoitos Mineiros, criada em 1996 e transformada em uma conhecida rede brasiliense de biscoitos, quitandas e salgados.
Sul tem bala de banana, Parati e Stikadinho
- Paraná — Bala de Banana de Antonina
- Santa Catarina — Biscoitos Parati
- Rio Grande do Sul — Stikadinho
A Bala de Banana de Antonina é um caso em que produto e território praticamente se confundem. O doce embalado possui Indicação Geográfica concedida pelo INPI, e a produção comercial na cidade paranaense remonta à década de 1970.
Santa Catarina fica com a Parati, empresa de origem familiar cuja fábrica de São Lourenço do Oeste se transformou em um dos grandes complexos industriais do grupo que atualmente controla a marca. O catálogo vai de wafers e biscoitos recheados a salgadinhos e chocolates.
No Rio Grande do Sul, uma embalagem rosa e um pequeno bastão de chocolate ajudam a resolver a disputa: Stikadinho, da Neugebauer. A fabricante nasceu em Porto Alegre em 1891 e é considerada a primeira indústria de chocolates do Brasil. Stikadinho se tornou um dos produtos mais tradicionais de seu portfólio.
Sudeste tem Serenata de Amor, Goiabinha, Bauducco e Aymoré
- Espírito Santo — Serenata de Amor
- Rio de Janeiro — Goiabinha Piraquê
- São Paulo — Wafer Bauducco
- Minas Gerais — Biscoitos Aymoré
No Espírito Santo, poucas marcas de alimentos possuem uma associação territorial tão forte quanto a Garoto. A fábrica fica em Vila Velha e Serenata de Amor aparece entre os produtos de maior sucesso da companhia ao lado de Baton e Talento.
O Rio de Janeiro responde com outra marca histórica. A Piraquê começou a fabricar biscoitos na capital fluminense nos anos 1950, e em 1966 lançou um de seus maiores sucessos: o roladinho de goiabada que ficaria conhecido como Goiabinha.
São Paulo provavelmente é o estado com mais candidatos possíveis. A escolha desta lista, porém, fica com o Wafer Bauducco. A empresa começou em uma pequena doceria no Brás, na capital paulista, e abriu sua primeira fábrica em 1962. Atualmente, a própria Bauducco se apresenta como líder nacional em categorias que incluem wafers, cookies e torradas.
Em Minas, Aymoré vende milhões de pacotes por mês
Se existe uma marca de biscoito capaz de despertar imediatamente uma memória mineira, Aymoré é provavelmente uma das primeiras da lista.
A empresa completou 100 anos em 2024 e mantém uma de suas fábricas em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A produção total supera 12 milhões de pacotes por mês, considerando as unidades de Contagem e Campinas.
Mais impressionante é para onde boa parte desses biscoitos vai.
Segundo dados divulgados pela própria companhia, entre 90% e 95% da produção da Aymoré é consumida no mercado mineiro. Ou seja, apesar de ser uma marca centenária e fazer parte de um grande grupo alimentício, sua relação comercial continua extraordinariamente concentrada em Minas Gerais.
A força da identificação também aparece em pesquisas de lembrança de marca. A Aymoré foi premiada mais de 20 vezes no Top of Mind mineiro e já apareceu como líder absoluta da categoria de biscoitos em Minas Gerais.
O portfólio ajuda a explicar essa presença nas casas mineiras. São mais de 30 opções, passando por cream crackers, biscoitos doces, rosquinhas, recheados, wafers e outras linhas. Em 2024, a marca aproveitou o centenário para lançar novos biscoitos e até entrar nas categorias de geleias e doce de leite.


