Todo ano, a mesma pergunta ecoa nas redes sociais: “Por que a Prefeitura gasta milhões com o Carnaval em vez de investir em outras áreas?”. Em 2026, a resposta chegou em formato de planilha financeira. Longe de ser um ralo de dinheiro público, a folia belo-horizontina se consolidou como uma das operações mais lucrativas do ano para a cidade.
A estimativa é que a festa tenha movimentado impressionantes R$ 1,4 bilhão na economia local. Quando aplicamos a lupa dos impostos sobre esse montante, a matemática prova que o investimento público se paga com folga, gerando um superávit que pode ser reinvestido na própria capital.
A Matemática do ISS: Do “Zero a Zero” ao Lucro Milionário
Para viabilizar a megaestrutura do Carnaval de 2026, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) investiu cerca de R$ 28 milhões. A mágica econômica acontece na arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviços), que incide sobre hospedagem, eventos privados, transporte de aplicativos e serviços em geral. A alíquota em BH varia de 2% a 5%.
Veja como a conta fecha (e sobra):
- Cenário Pessimista (2% de ISS): Se toda a movimentação for taxada na alíquota mínima, a PBH arrecada R$ 28 milhões. Ou seja, a cidade fica no “zero a zero”, pagando a festa inteira sem tirar um centavo extra do caixa.
- Cenário Otimista (5% de ISS): Se a arrecadação atingir o teto, a PBH recolhe R$ 70 milhões. Subtraindo os R$ 28 milhões investidos, o município embolsa um lucro líquido de R$ 42 milhões.
O Efeito Cascata: Quem ganha na base da pirâmide
Além de encher os cofres da Prefeitura, o R$ 1,4 bilhão circulante é uma injeção direta de oxigênio na microeconomia da cidade. O Carnaval é altamente benéfico porque o dinheiro tem giro rápido e pulverizado. Ele não fica concentrado em grandes corporações.
- Pequenos Negócios: Bares de bairro, padarias, depósitos de bebida e lanchonetes nas rotas dos blocos faturam em quatro dias o equivalente a meses de operação normal.
- Trabalhadores Informais e de App: Motoristas de aplicativo, ambulantes credenciados e catadores de recicláveis garantem uma renda extra fundamental para o início do ano.
- Setor de Serviços: Salões de beleza (maquiagem e adereços), costureiras e profissionais de montagem e segurança têm pico de contratação.
Veredito: O Carnaval de BH provou, mais uma vez, que é uma engrenagem econômica vital. Quando a cidade mostra ao turista que é um destino seguro, organizado e divertido (como vimos na parceria das forças de segurança este ano), ela não está apenas promovendo cultura; está fechando um excelente negócio.