Quem frequenta as mesas animadas do Tatu Bola em Belo Horizonte talvez não imagine a tempestade que ocorre nos bastidores corporativos. O grupo Alife Nino, gigante do entretenimento que controla essas marcas, acaba de ter uma mudança sísmica em seu quadro societário.
O BRB (Banco de Brasília) executou as garantias e assumiu a titularidade de fundos que detêm ações da companhia. O motivo? Um imbróglio financeiro milionário envolvendo o polêmico Banco Master, que havia dado as cotas do grupo de bares como garantia em operações de crédito e não honrou os compromissos.
Entenda o “Nó” Financeiro do Banco Master
Para o leitor simplificar: imagine que você emprestou dinheiro para um amigo e ele te deu o carro como garantia. Ele não pagou, e agora o carro é seu.
- O “Amigo” Devedor: O Banco Master (e fundos ligados a ele) utilizou as ações do Grupo Alife Nino como garantia para captar recursos com o BRB.
- O Credor: O BRB, ao ver o vencimento da dívida sem pagamento, acionou a cláusula de execução.
- O “Carro”: O Grupo Alife Nino (dono do Tatu Bola, Nino Cucina e Boa Praça).
Agora, o BRB passa a ser um dos “donos” indiretos dos bares mais badalados do país, numa operação que expõe a fragilidade das alavancagens feitas pelo Banco Master nos últimos anos.
O Que Muda no Seu Happy Hour no Tatu Bola em BH?
A pergunta que o frequentador da Savassi e do Vila da Serra faz é: o bar vai fechar? A resposta, por enquanto, é não. O Grupo Alife Nino é uma máquina de fazer dinheiro, com faturamento na casa do bilhão. Para o BRB, não faz sentido fechar as portas. O banco provavelmente atuará para:
- Manter a operação rodando e gerando caixa.
- Profissionalizar ainda mais a gestão.
- Eventualmente, vender sua participação para outro investidor para recuperar o dinheiro emprestado.
Porém, o clima nos bastidores é de tensão. A mudança forçada de controle acionário costuma travar investimentos e expansões até que a poeira baixe.
O Histórico do Banco Master
O Banco Master tem estado no olho do furacão do mercado financeiro, envolvido em questionamentos sobre a qualidade de seus ativos e operações estruturadas agressivas. A perda do controle (ou de parte relevante) da “joia da coroa” do entretenimento (Alife Nino) é um duro golpe na credibilidade da instituição e sinaliza que os credores perderam a paciência.
Para o Tatu Bola, resta a torcida para que a briga de banqueiros não entorne o chope dos clientes.