Belo Horizonte está, novamente, no tapete vermelho do cinema mundial. A cineasta mineira Petra Costa, que já havia levado o nome da cidade a Hollywood com a indicação ao Oscar por Democracia em Vertigem (2019), acaba de alcançar mais um feito histórico.
Nesta terça-feira (27), a Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão anunciou que o novo filme de Petra, “Apocalipse nos Trópicos”, foi indicado ao prêmio de Melhor Documentário no BAFTA 2026. Conhecido como o “Oscar Britânico”, o prêmio é um dos mais prestigiados do planeta e serve como um forte termômetro para a temporada de premiações nos EUA.
O Filme: Fé, Política e o Fim do Mundo
Se em Democracia em Vertigem Petra dissecou o impeachment de Dilma Rousseff, em Apocalipse nos Trópicos ela mergulha em águas ainda mais profundas e turbulentas. O documentário investiga a crescente influência do fundamentalismo religioso na política brasileira. Com acesso privilegiado a líderes religiosos e políticos, a mineira traça um paralelo assustador entre a teologia do “fim dos tempos” e as decisões de poder em Brasília, especialmente durante a pandemia e o governo anterior.
A crítica internacional tem elogiado a coragem da diretora em expor como a fé foi instrumentalizada como ferramenta de controle social.
BAFTA: O “Esquenta” para o Oscar?
A indicação ao BAFTA coloca Petra Costa em um patamar raríssimo para diretores latino-americanos. Estar entre os finalistas em Londres significa que o filme tem tração global e está sendo assistido (e votado) pelos membros mais influentes da indústria. Historicamente, muitos vencedores do BAFTA acabam levando a estatueta dourada em Los Angeles.
Neste ano ela ficou de fora da competição do Oscar, mas mostra o prestígio de seu trabalho internacionalmente.
DNA de BH
Nascida em Belo Horizonte em 1983, Petra Costa carrega em sua filmografia a densidade e a complexidade política que são marcas da cultura mineira. Sua trajetória — de Elena a Apocalipse nos Trópicos — prova que o cinema documental feito aqui não deve nada às grandes produções europeias ou americanas. Hoje, a capital mineira não celebra apenas um filme, mas a consolidação de uma carreira que insiste em olhar para o Brasil com lentes de aumento.