A oferta mensal de mamografias na rede pública de Belo Horizonte passou de 3.581 vagas em 2024 para 9.466 em 2026, crescimento de 164%. O balanço foi divulgado pela prefeitura nesta quinta-feira, 1º de outubro, no início do mês de mobilização sobre o câncer de mama.
Os exames são realizados em oito clínicas credenciadas pelo município. Para acessar o atendimento, a orientação é procurar o centro de saúde de referência, onde a equipe avalia a situação e define o encaminhamento necessário.
A ampliação da oferta representa mais capacidade de atendimento, mas não significa agendamento automático para todas as interessadas. O fluxo começa na atenção básica, e a indicação depende da avaliação e da finalidade do exame.
Mais vagas e exames realizados são números diferentes
Segundo o balanço da rede municipal, mais de 50 mil mamografias foram realizadas entre janeiro e agosto de 2026. Em todo o ano de 2025, o total chegou a 70.234 procedimentos.
Esses resultados cobrem períodos diferentes e não devem ser comparados como se ambos representassem um ano completo. A oferta mensal, por sua vez, informa a quantidade de vagas disponibilizadas, enquanto o total realizado corresponde aos atendimentos efetivamente registrados.
O comunicado não apresenta uma série de tempo médio de espera ou o tamanho atualizado da fila. Dessa forma, o aumento da capacidade não permite calcular, sozinho, quantos dias cada paciente levará até o exame.
A prefeitura também informa que as equipes passaram a contatar diretamente as usuárias para confirmar a necessidade e a disponibilidade para atendimento. Para quem aguarda uma chamada, manter os dados de contato atualizados na unidade ajuda a evitar desencontros.
O acesso começa no centro de saúde
A mulher deve procurar a unidade de referência para avaliação clínica. Nesse atendimento, é importante informar alterações percebidas, histórico pessoal e familiar, além de exames anteriores que possam ajudar a equipe a compreender o caso.
Ter uma mamografia solicitada não encerra o acompanhamento. Depois da realização, o resultado precisa ser avaliado por um profissional, que poderá indicar retorno à rotina de rastreamento ou investigação complementar.
Também é importante distinguir a procura de rotina da investigação de um sintoma. Uma pessoa com alteração suspeita não deve interpretar o calendário de rastreamento como motivo para adiar a busca por atendimento.
Qual é a faixa etária recomendada atualmente
A orientação nacional atual recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Essa faixa está publicada nas informações do Instituto Nacional de Câncer sobre detecção precoce.
O comunicado municipal desta semana menciona mulheres de 50 a 69 anos, intervalo diferente da recomendação nacional atualizada. Essa divergência precisa ser considerada na leitura do anúncio e não deve levar mulheres de 70 a 74 anos a presumir que estão fora da orientação de rastreamento.
Para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74, o Ministério da Saúde informa que o SUS não restringe o acesso por demanda, desde que haja orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos. A decisão deve considerar a situação individual, sem transformar uma faixa etária em uma regra única para qualquer caso.
Rastreamento e investigação de sintomas têm objetivos diferentes
O rastreamento é voltado a pessoas sem sinais ou sintomas suspeitos. Seu objetivo é identificar alterações que precisam de investigação, dentro de uma periodicidade em que os benefícios do exame sejam favoráveis.
Já a mamografia diagnóstica faz parte da avaliação de uma alteração suspeita e pode ser solicitada em qualquer idade, conforme indicação médica. Dependendo do caso, outros exames de imagem também podem ser necessários.
Entre os sinais que merecem avaliação estão nódulo endurecido ou em crescimento, mudanças na pele ou no formato do mamilo e saída espontânea de secreção sanguinolenta. A orientação do INCA é procurar esclarecimento profissional ao perceber uma alteração, sem esperar a próxima mamografia de rotina.
Exame alterado não confirma câncer
Uma alteração na mamografia exige avaliação, mas não corresponde, por si só, a um diagnóstico confirmado de câncer. Segundo o INCA, a confirmação depende da análise de material obtido por biópsia, quando indicada.
O acompanhamento é importante justamente porque a imagem pode demandar esclarecimentos. A paciente deve receber orientação sobre o significado do resultado e sobre a necessidade, ou não, de exames adicionais.
O Outubro Rosa pode funcionar como oportunidade para retomar esse cuidado, mas a assistência deve continuar ao longo do ano. Para a moradora de BH, o passo inicial permanece procurar o centro de saúde, esclarecer a indicação e acompanhar o encaminhamento até a avaliação do resultado.


