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BH cria joaninhas em laboratório para missão que pouca gente conhece

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Uma estrutura instalada no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, produz um tipo de “defesa” que parece pequena demais para fazer diferença na cidade. Dentro da Casa Amarela, joaninhas e crisopídeos são criados em condições controladas, passam por todas as fases do ciclo de vida e depois podem ser usados para combater pulgões, cochonilhas e ácaros sem aplicação de agrotóxicos.

A iniciativa existe desde 2018, mas ganhou um novo gancho nesta semana. A Prefeitura de Belo Horizonte abriu inscrições para oficinas gratuitas que vão mostrar, na prática, como esses insetos são criados e por que podem funcionar como aliados de hortas, jardins e áreas verdes. As atividades serão realizadas em quatro Centros de Vivência Agroecológica, os Cevaes, entre 14 de setembro e 5 de outubro.

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O detalhe mais curioso é que o trabalho não termina na oficina. A biofábrica também fornece joaninhas e crisopídeos gratuitamente a moradores interessados em utilizar o controle biológico em cultivos domésticos.

A fábrica não produz veneno, produz predadores naturais

Joaninhas costumam aparecer no imaginário como insetos inofensivos e até decorativos. Para algumas das pragas mais comuns em plantas, porém, elas ocupam outra posição na cadeia: são predadoras.

Pulgões, cochonilhas e ácaros podem enfraquecer plantas, deformar folhas e comprometer hortas e jardins. Em vez de recorrer necessariamente a produtos químicos, o controle biológico utiliza organismos vivos capazes de reduzir essas populações naturalmente.

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A Biofábrica de Joaninhas e Crisopídeos da capital foi criada justamente com essa finalidade. Segundo a PBH, os insetos são mantidos com temperatura e alimentação controladas, passam pelo acasalamento e têm ovos e larvas acompanhados até a fase adulta. Depois, podem ser destinados a ações ambientais ou fornecidos à população.

A lógica é relativamente simples: em vez de eliminar indiscriminadamente organismos de um espaço verde, introduz-se um predador que já integra relações naturais do ecossistema. Isso permite atacar a praga com menor dependência de produtos químicos e ainda ajuda a aproximar moradores de práticas de agricultura urbana e agroecologia.

Morador de BH também pode pedir os insetos

Talvez a parte menos conhecida do projeto seja justamente a que aproxima o laboratório da rotina doméstica. A Prefeitura mantém um serviço de fornecimento gratuito dos organismos produzidos na biofábrica para pessoas que cultivam hortas e jardins.

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Os kits passaram a ser distribuídos sob demanda depois de uma fase em que a produção era voltada principalmente para ações municipais. O pedido pode ser feito pelo serviço de fornecimento de joaninhas e crisopídeos da PBH, e a retirada ocorre no local indicado após a solicitação.

Isso transforma a biofábrica em algo diferente de uma instalação apenas educativa ou experimental. Um morador que identifica pragas em uma horta doméstica pode recorrer ao próprio sistema municipal para experimentar uma alternativa biológica ao controle químico.

A PBH ressalta, no entanto, que o uso correto depende de orientação. Nem todo inseto encontrado em uma planta representa uma praga e nem toda situação exige a introdução de predadores. Parte do trabalho da biofábrica é justamente ensinar a reconhecer esses organismos e compreender o equilíbrio entre eles.

Oficinas vão mostrar o ciclo completo das joaninhas

As novas oficinas serão realizadas sempre das 9h às 11h. A primeira acontece em 14 de setembro no Cevae Capitão Eduardo. Depois, a programação segue para o Cevae Morro das Pedras, no dia 21; Cevae Serra Verde, no dia 28; e Cevae Taquaril, em 5 de outubro.

Durante os encontros, os participantes poderão acompanhar desde o acasalamento até a fase adulta dos insetos e entender como temperatura, alimentação e manejo interferem na criação. A proposta também é desfazer a ideia de que qualquer inseto encontrado em uma planta precisa ser eliminado.

A coordenadora da Biofábrica, Nathalia Abreu, explica que a experiência permite mostrar que esses animais podem ser aliados importantes para o equilíbrio dos ecossistemas urbanos. A oficina é voltada tanto para quem mantém cultivos quanto para moradores interessados em aprender novas formas de cuidar de plantas.

Um pequeno laboratório com uma função maior na cidade

A criação de joaninhas também se conecta a uma discussão mais ampla sobre como cidades podem produzir alimentos e preservar áreas verdes com menor uso de substâncias químicas. Belo Horizonte mantém políticas de agricultura urbana em diferentes regiões, e os Cevaes funcionam como pontos de formação, cultivo e circulação desse conhecimento.

A biofábrica acrescenta um elemento pouco visível a essa estrutura. Enquanto grande parte da população associa o combate a pragas ao uso de inseticidas, o município mantém um laboratório que aposta justamente na relação entre os próprios organismos para fazer esse trabalho.

Por isso, as oficinas anunciadas nesta semana são apenas a porta de entrada para uma história mais curiosa. Em pleno Parque das Mangabeiras, BH cria joaninhas em laboratório, acompanha seu desenvolvimento e depois coloca esses pequenos predadores para trabalhar em hortas e jardins da cidade.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.