Um quarteirão que permaneceu praticamente sem uso por 17 anos no Centro de Belo Horizonte pode voltar a receber milhares de pessoas diariamente. A Prefeitura de Belo Horizonte recebeu da União a guarda provisória do antigo complexo da Escola de Engenharia da UFMG e pretende transformar os mais de 30 mil metros quadrados construídos em um conjunto com repartições públicas, comércio, serviços, atividades culturais e áreas abertas à população.
A previsão é que até 2,4 mil servidores municipais trabalhem no local. O número ajuda a dimensionar uma mudança que vai além da recuperação dos prédios: a chegada desse público diariamente pode alterar a dinâmica de uma região que atualmente tem baixa movimentação comercial, especialmente em determinados horários.
A própria Prefeitura considera que o novo fluxo poderá favorecer restaurantes, cafés, padarias, lojas, livrarias e outros negócios nas proximidades.
Projeto não será apenas um centro administrativo
A intenção da PBH é evitar que o complexo funcione exclusivamente como um conjunto de escritórios públicos. Os pavimentos superiores deverão concentrar unidades administrativas, enquanto o térreo e o segundo pavimento poderão receber comércio, serviços e atividades culturais abertas ao público.
Dois dos principais edifícios existentes serão recuperados. O Arthur da Costa Guimarães, voltado para a Rua Espírito Santo, é tombado e deverá ter suas características preservadas. Já o Edifício Álvaro da Silveira, voltado para a Avenida do Contorno, também passará por retrofit e adaptação para os novos usos.
A proposta inclui ainda uma intervenção significativa no interior do quarteirão. Galpões deteriorados e não tombados, próximos à Rua dos Guaicurus, deverão ser retirados para dar lugar a um edifício cultural suspenso. A estrutura permitirá a passagem de pedestres no nível da rua e dará acesso a uma praça pública interna com aproximadamente 1,7 mil metros quadrados.
O projeto também prevê mais de 2,6 mil metros quadrados de áreas permeáveis e arborizadas, além de jardins, espaços de convivência e novas ligações internas para pedestres.
A ideia é criar conexões entre as ruas dos Guaicurus, Bahia e Espírito Santo e o entorno da Avenida dos Andradas, abrindo uma área que permaneceu fechada durante quase duas décadas.
Investimento pode chegar a R$ 150 milhões
A estimativa inicial da Prefeitura é de aproximadamente R$ 150 milhões para a requalificação. O modelo de contratação ainda está sendo analisado e existe a possibilidade de utilização de uma Parceria Público-Privada, a PPP, tanto para implantação quanto para manutenção do espaço.
A execução das obras é estimada em um ano e meio. Entretanto, considerando as fases anteriores de estruturação do projeto e contratação, o cronograma completo poderá chegar a cerca de dois anos e meio.
A transferência definitiva do imóvel para o Município ainda não ocorreu devido às restrições do período eleitoral e deverá avançar após as eleições.
A intervenção faz parte do Somos Centro, programa municipal voltado à requalificação da região central de Belo Horizonte. Nesse caso, porém, o impacto esperado não se limita à reforma de patrimônio histórico.
Ao colocar milhares de trabalhadores diariamente em um quarteirão hoje pouco movimentado e combinar repartições com comércio, cultura, praça e áreas de convivência, a Prefeitura tenta criar um novo polo de circulação no Hipercentro.
Depois de 17 anos fechado, o antigo endereço universitário pode passar de vazio urbano a uma das maiores operações recentes de ocupação do Centro de BH.


