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Semáforos com IA em BH: como funcionam e a redução de até 35% no trânsito

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Belo Horizonte vai começar a trocar parte dos semáforos tradicionais por equipamentos inteligentes, capazes de ajustar o tempo de abertura e fechamento conforme o fluxo real das vias. A Prefeitura lançou nesta quinta-feira (2) o projeto Semáforos Inteligentes, que usará inteligência artificial, câmeras, sensores e gestão remota para tentar reduzir congestionamentos na capital.

A primeira etapa prevê a modernização de aproximadamente 500 controladores semafóricos, o que corresponde a cerca de 50% do parque da cidade. A instalação deve começar em agosto, com prioridade para corredores de grande movimento e vias com alto volume de transporte público.

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Entre os pontos citados pela PBH estão as avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro II e Amazonas, além de trechos nas regiões do Barreiro e de Venda Nova.

A promessa é ambiciosa. Segundo a Prefeitura, o impacto imediato pode reduzir em 10% o tempo de deslocamento nos trechos onde os semáforos inteligentes forem instalados. Depois de cerca de três meses, período estimado para a curva de aprendizagem da inteligência artificial, a expectativa é de queda de 30% a 35% nos horários de pico.

O projeto integra duas frentes da gestão municipal: Mobilidade Para Todos e Cidade Inteligente. A ideia é que o semáforo deixe de funcionar apenas com tempos fixos e passe a responder ao comportamento real do trânsito.

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Como funciona o semáforo inteligente

Hoje, muitos semáforos operam com ciclos pré-programados. Mesmo quando o trânsito muda, o tempo do sinal pode permanecer igual. Isso ajuda a explicar situações comuns em BH: avenida congestionada de um lado, via mais vazia do outro e o semáforo mantendo a mesma lógica.

No novo modelo, os equipamentos funcionam como uma rede. Câmeras e sensores acompanham o fluxo de veículos, pedestres e transporte coletivo. O sistema processa essas informações e calcula o tempo mais adequado para cada cruzamento.

A inteligência artificial também permite que semáforos próximos se comuniquem entre si. Com isso, a Prefeitura espera criar a chamada “onda verde”, em que uma sequência de sinais abre de forma coordenada para melhorar a fluidez em corredores movimentados.

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Essa coordenação é especialmente importante para o transporte coletivo. Os algoritmos foram programados para dar prioridade a ônibus, ambulâncias, viaturas e outros veículos oficiais em situações definidas pela operação.

Na prática, isso pode significar abrir o sinal antes ou prolongar o verde quando um ônibus se aproxima, reduzindo atrasos nas linhas. Em maio, a PBH já havia iniciado um projeto piloto com nove semáforos inteligentes nas ruas Niquelina e Domingos Vieira, em vias de conexão entre a região Leste e o Hipercentro.

A nova fase amplia a escala. Em vez de testar poucos cruzamentos, a Prefeitura passa a levar a tecnologia para corredores estruturais da cidade.

Gestão remota e integração com aplicativos

Outro ponto central do projeto é a gestão em tempo real. A plataforma vai reunir dados de mobilidade em um ambiente único, para auxiliar equipes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, da BHTrans e da Sumob.

Semáforos inteligentes em BH
Rodrigo Clemente/PBH

Com isso, a operação poderá responder mais rapidamente a retenções, acidentes, bloqueios, eventos e mudanças bruscas no fluxo. A ideia é reduzir a dependência de ajustes manuais e permitir decisões mais rápidas a partir de dados.

A PBH também prevê integração com sistemas de navegação. Isso pode melhorar a leitura sobre velocidade média, volume de veículos e rotas mais pressionadas. Em uma etapa posterior, o sistema será integrado ao Muralha, programa municipal de videomonitoramento e segurança.

Essa integração amplia o alcance do projeto, mas também aumenta a necessidade de transparência. Como haverá uso de câmeras, dados de mobilidade e algoritmos, será importante que a Prefeitura explique com clareza quais informações serão coletadas, como serão usadas e quais indicadores mostrarão se a promessa de redução no trânsito está sendo cumprida.

O prefeito Álvaro Damião afirmou que a proposta coloca Belo Horizonte no grupo de cidades que usam tecnologia para melhorar a vida urbana. Ele também disse que o projeto foi estruturado pensando não apenas nos motoristas, mas também nos pedestres.

Esse ponto será decisivo. Um semáforo inteligente não pode servir apenas para acelerar carros. A tecnologia precisa equilibrar fluidez, segurança, travessia de pedestres, transporte coletivo e acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Se a prioridade ficar concentrada apenas nos veículos, o ganho pode ser limitado. Em uma cidade com trânsito pesado, calçadas irregulares e alta dependência de ônibus, o sucesso do sistema dependerá da capacidade de organizar todos os modos de deslocamento.

O que pode mudar para quem circula por BH

Para o motorista, a mudança mais perceptível pode ser a redução do tempo parado em cruzamentos. Nos corredores mais carregados, a IA tende a ajustar o verde conforme a demanda, evitando ciclos desperdiçados.

Para quem usa ônibus, o ganho pode vir na regularidade das linhas. Se o transporte coletivo receber prioridade em semáforos estratégicos, a viagem pode ficar mais previsível, principalmente nos horários de pico.

Para ambulâncias e viaturas, o sistema pode ajudar em deslocamentos de emergência. A liberação automatizada em determinados pontos reduz tempo de resposta e melhora a circulação em situações críticas.

Há também um possível efeito ambiental. Veículos parados por menos tempo emitem menos poluentes, especialmente em áreas de trânsito carregado. A Prefeitura trata esse ganho como parte da justificativa do projeto.

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Tati Oliveira
Tati Oliveira
Há quase 15 anos no mercado de comunicação, é apaixonada pela notícias e trabalha no jornalismo cobrindo entretenimento, grandes eventos e futebol.